O taxista Antônio Reverso, de 60 anos, teve todos dedos da mão direita mutilados. Reverso foi internado às 19h30 de anteontem na Santa Casa de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Ele é de Campo Mourão, onde teria sido sequestrado seis horas antes, no centro da cidade.
As pontas de três dedos do taxista não puderam ser reinplantadas, mas os outros dois dedos, que ficaram pendurados, foram reconstituídos. Segundo a vítima, no local onde o libertaram, os sequestradores desferiram dois golpes de facão com sua mão junto ao meio-fio. Ontem à tarde ele permanecia em estado regular na enfermaria do hospital.
Ontem de manhã, Reverso entrou em contato com a família dizendo que tinha sido deixado em Cambé. O delegado de Campo Mourão, Lindomar Alves Júnior, sabia que Reverso tinha sido capturado por um Monza verde quatro portas. Na hora em que o taxista foi pego, ele estava de bicicleta e carregando muletas.
O taxista usava muletas porque ainda se recuperava de um tiro que levou na perna há cerca de três meses, em Maringá, em outro sequestro semelhante. A bicicleta e as muletas foram deixadas no meio da rua. ‘‘O taxista disse a familiares que prefere morrer sozinho do que colocar toda a família em risco’’, disse o delegado Alves Júnior.
O delegado Antônio do Carmo, de Cambé, disse que testemunhas presenciaram o ‘‘despejo’’ da vítima, às 19h30, em frente ao Villagio do Engenho, condomínio fechado à margem da BR-369. Funcionários da Santa Casa de Cambé disseram que Reverso não quer contar detalhes de como tudo aconteceu. ‘‘Ele apenas diz que vem sendo perseguido por pessoas que não querem que ele continue em Campo Mourão e que foi deixado à beira da rodovia’’, contou uma funcionária. Segundo ela, o taxista demonstra estar com medo. ‘‘Estão retalhando meu pai vivo’’, afirmou ontem na delegacia de Campo Mourão, em prantos, uma filha do taxista, Célia Maria Rocha Reverso. Ela contou ao delegado Lindomar Alves Júnior que esta já é quarta vez que Reverso sofre esse tipo de violência. Nas primeiras vezes ele nem chegou procurar a polícia. O caso anterior, quando levou o tiro na pena, estava sendo apurado pela polícia de Maringá. ‘‘Estamos com medo de sair pelas ruas’’, disse Célia.
Hoje, Reverso deve prestar depoimento em Cambé. Ontem, o delegado Antônio do Carmo ouviu o taxista no hospital. Ele disse que não reconheceria seus dois sequestradores. ‘‘Ele disse que viajou o tempo todo com um saco plástico na cabeça e que a dupla só dizia que ele deveria mudar-se de Campo Mourão, a mesma coisa que falavam no outro episódio em Maringᒒ, conta o delegado.
Reverso disse ao delegado que apesar de não saber quem poderia querer se vingar dele, lembra de dois fatos que poderiam ter relação com o sequestro. O mais recente foi um depoimento contra um policial militar que tentou extorquir um de seus clientes, que carregava ‘‘muamba’’ no táxi. Segundo Reverso, o policial foi condenado e expulso da PM. Outra possibilidade ventilada pela vítima seria a de queima de arquivo, já que ele trabalhou de motorista para um empresário assassinado em Campo Mourão, e que sabia demais sobre algumas irregularidades nesta empresa.

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