O quadrilheiro Manoel de Oliveira, 46 anos, que já foi condenado a 150 anos de prisão por vários crimes praticados no Estado, vai a juri novamente hoje, em Apucarana, a partir das 9 horas. Em 1991, Oliveira comandou o sequestro do empresário maringaense Samuel Tolardo e, na fuga, após receber o resgate, tomou de assalto um ônibus da Prefeitura de Ivaiporã, fazendo 25 reféns, entre crianças, mulheres e estudantes.
Junto com Oliveira também vai a julgamento, Wilson de Almeida, 45 anos, o ‘‘Wilsinho’’, de Jandaia do Sul, acusado de ser o mentor do sequestro de Samuel Tolardo. Da quadrilha participavam ainda Osmar de Oliveira e João Carlos Landolfo, que foram mortos pela polícia no desfecho do sequestro.
A Justiça requisitou esquema especial de segurança para a realização do júri. Mais de 30 policiais militares, além de investigadores da Polícia Civil, vão estar de prontidão dentro e fora do prédio. O acesso do público ao Tribunal do Júri será limitado e todos serão revistados. O trânsito será interditado na Rua Miguel Simeão, na quadra em frente ao fórum, enquanto o julgamento estiver acontecendo.
O júri será presidido pelo juiz Carlos Maurício Ferreira, e na acusação vão atuar os promotores Luiz Fernando Delázari e Gustavo Marcel Fernandes Marinho. Ambos vão pedir a pena máxima para Manoel de Oliveira, pela prática de 17 crimes, incluindo sequestro, extorsão, roubo, quatro furtos, três homicídios, e duas tentativas de homicídio.
Segundo Delázari, todas penas somadas referentes aos crimes cometidos por Oliveira resultam em mais 264 anos de prisão. ‘‘Ele já cumpriu 6 dos 150 anos a que foi condenado por outros crimes’’, disse o promotor. Ele explica que, pela lei brasileira, o réu cumpre no máximo 30 anos de reclusão.
A defesa de Manoel de Oliveira estará a cargo dos advogados Antônio Ari Costa, Orville Robertson da Silva Moribe e Oscar Gonçalves Severino. Nenhum deles foi encontrado ontem para falar sobre a defesa de Oliveira.
O réu Wilson de Almeida será assistido pelos advogados Marcelo Cézar Pereira e Marcelo Cézar Pereira Filho, que pretendem obter ainda hoje o adiamento do júri de seu cliente. Eles querem que o julgamento de Wilson seja separado do júri de Manoel de Oliveira. ‘‘Wilson seria prejudicado num julgamento conjunto’’, avalia Marcelo Cézar Pereira Filho.
O sequestro de Samuel Tolardo começou dia 8 de setembro. Ele foi levado pelos sequestradores de dentro de sua casa, em Maringá, e permaneceu 10 dias em cativeiro, sendo libertado depois que a família pagou resgate de US$ 100 mil. A polícia de Nova Tebas (região central do Estado), descobriu por acaso o cativeiro e foi recebida a bala. Morreram o delegado João Bernardi e o suplente Pascoal Justino.
A gangue foi interceptada pela polícia no dia 17, na zona rural de Ivaiporã. O carro que a quadrilha usava quebrou e um ônibus foi tomado de assalto, com 25 reféns. O veículo foi perseguido pela polícia por 90 quilômetros até ser interceptado.
Seguiram-se 24 horas de tensão até a polícia dominar a situação. No desfecho foram mortos os sequestradores Osmar de Oliveira e João Carlos Landolfo, o refén Ismael de França, e o PM aposentado Altair Ferreira de Araújo.

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