Sequestrador pretendia pedir R$ 2,5 mil
Em depoimento prestado no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), o desempregado Jean Carlos Gretan, 41 anos, confessou que sequestrou a estudante Juliana Lopes Pereira, 7 anos, em Curitiba, para tentar extorquir do pai da menina cerca de R$ 2,5 mil. O desempregado foi preso na manhã de segunda-feira depois de prender Juliana em um barraco na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) por aproximadamente 20 horas.
Jean alegou que resolveu sequestrar a garota porque usaria o dinheiro do crime para construir uma casa e não passar mais fome. Ele não tem residência fixa e vivia da solidariedade de igrejas para morar e se alimentar. O desempregado conhecia Juliana há pelo menos um mês.
O titular do Sicride, delegado Harry Herbert, disse que a confissão de Jean praticamente esclareceu o caso. Ele informou que as investigações vão prosseguir para confirmar se o Gretan está envolvido em outros desaparecimentos de crianças em Curitiba. Juliana foi levada por Gretan enquanto o pai da menina, o bancário Carlos Alberto Pereira, assistia na tarde de domingo a uma partida de futebol no bairro Novo Mundo, onde a família reside. A polícia apurou que o desempregado já havia feito contato com a menina em outras três vezes quando ela acompanhava o pai ao campo de futebol do bairro.
Ele (Gretan) conhecia muito bem a família da menina. Sabia que o pai era bancário. A própria Juliana disse a ele que o pai guardava dinheiro em casa, disse Harry Herbert. O delegado do Sicride relatou que Gretan tentou extorquir a família de uma menina de 8 anos em 1985 no município de Pinheiro Preto, no Oeste de Santa Catarina. O desempregado teria se descuidado durante a negociação para libertar a criança e foi preso pelos próprios moradores da cidade. Segundo Herbert, no processo consta que Gretan estuprou a menina, apesar dele negar o fato.
De acordo com a polícia, Gretan cumpriu três anos pelo crime na comarca de Curitibanos (SC). Ele nunca teve passagens pela Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, como chegou a ser informado pela Polícia Militar. Em 1979, consta que o desempregado matou um posseiro em Mangueirinha (76 quilômetros ao Norte de Pato Branco) por causa de disputas de terras.
Como Gretan não tem carteira de identidade, suas digitais foram remetidas para o Instituto de Identificação na tentativa de confirmar o seu nome. Representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) estiveram conversando ontem com o desempregado para saber de sua procedência. Ele diz que é descendente da tribo tupi-guarani.
Em entrevista a imprensa, Jean alegou ser filho do cacique Angelo Kretan, morto nos anos 70 e um dos líderes pela defesa de terras indígenas no Estado. O delegado Harry Herbert disse que esta possibilidade foi descartada. Foi confirmado que ele tem descedência indígena, mas nunca morou em uma reserva, informou.





