Sequelas do sarampo deixam menino sem falar ou andar
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Paulo WolfgangDrama familiarJosé, Nilza e o garoto Bruno: sequelas surgiram ano passado Vítima do sarampo aos três meses de idade, Bruno Camargo Mateus começou a apresentar sequelas da doença no ano passado e hoje, aos seis anos, não anda, não fala, respira através de traqueostomia e se alimenta com sonda. Tudo começou com uma forte dor de cabeça. Meses depois veio o diagnóstico de uma clínica de São Paulo: pan-encefalite esclerosante sub aguda. Em outras palavras, o vírus do sarampo se alojou no cérebro, provocando lesão.
Ele tinha brincado o dia todo. No começo da noite reclamou de dor de cabeça e, em seguida, começou a perder a coordenação, andando cambaleante. Teve uma espécie de desmaio, conta a mãe, Nilda. Os pais o levaram ao hospital de Cambé, onde moram. O médico de plantão, segundo a mãe, teria dito que não havia nada de anormal e pediu para que ela procurasse um pediatra. Era 22 de outubro.
O longo tratamento, sem melhoras, começou a ser feito no Hospital Universitário de Londrina (HU) no dia seguinte. Ele ficou internado por 11 dias e nada foi descoberto. As suspeitas médicas, segundo os pais, eram de algum tumor ou cisticercose. Depois de 15 dias em casa, sendo medicado com anticonvulsivo, o quadro de Bruno piorou e ele voltou ao HU. Foi feito um monte de exames e nada, conta o pai, José. A partir de dezembro, Bruno, segundo a mãe, parou de andar e falar. Só então foi coletado material para o exame em São Paulo, que revelou a doença.
A médica responsável pela divisão de epidemiologia da Autarquia da Saúde, Marisa Galimberti, explica que casos como o de Bruno são muito raros. A literatura médica, ela afirma, revela que a ocorrência é de um em 100 mil casos e sempre deixa sequelas. Outra complicação grave do sarampo é meningo-encefalite aguda que, segundo Marisa, tem uma incidência na proporção de um para mil casos e pode ou não deixar sequelas, sendo fatal em 15% dos casos. Marisa afirma que a pan-encefalite degenera gradativamente o sistema nervoso. No início, ela afirma, as sequelas são muito sutis, praticamente imperceptíveis. A percepção vem quando a criança começa a apresentar retardos no desenvolvimento.
Para os médicos que o tratavam, o caso dele estava encerrado. Chegaram a dizer até que ele iria morrer, lamenta o pai. Mas a gente vê que ele está reagindo: voltou a sorrir, emitir sons, querendo falar de novo, anima-se a mãe. Depois de passar janeiro em casa, Bruno retornou ao HU em fevereiro, ficando mais um mês. Nesses seis meses, desde a primeira dor de cabeça, o garoto teve febres altíssimas (43 graus) por três meses, segundo os pais, e pneumonia crônica, conforme relatório do HU. Diante dos cuidados inspirados por Bruno, o pai deixou o emprego como ensacador e a família depende dos amigos para sobreviver. Quando um dorme, o outro está acordado do lado dele, porque ele precisa de cuidado o tempo todo, diz José.
As esperanças dos pais de Bruno aumentaram depois de uma entrevista na televisão em fevereiro. Uma moça, que teve a mesma doença, passou por três cirurgias em Cleveland (EUA) e ficou curada, conta o pai. A clínica onde o médico Hans Ludrrs, da reportagem, atua foi contatada por fax e o caso de Bruno foi aceito. Informações conseguidas por José indicam que o tratamento em Cleveland não fica por menos de R$ 160 mil. Antes de tentar os EUA, José levará o filho para o hospital Sara Kubitscheck, em Brasília. A consulta está marcada para o dia 7 de outubro. De imediato, a família precisa de ajuda financeira para a estadia, consultas e exames médicos do garoto em Brasília.
Serviço: Quem quiser colaborar com a família de Bruno pode ligar para 300-8802, para doar R$ 2,00; 300-8805, para R$ 5,00 e 300-8810, para R$ 10,00. Ou ainda depositar na conta bancária 41048, agência 0384, Caixa Econômica Federal de Cambé. Outro tipo de doação pode ser entregue na rua Limeira, 408, jardim São Paulo, em Cambé.


