Sepulturas são alvo de novas violações
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terça-feira, 23 de março de 1999
Telma Elorza 
Mais cinco sepulturas do Cemitério Jardim da Saudade, localizado na zona norte de Londrina, foram violadas na madrugada de ontem. Esta é terceira vez em menos de seis meses que o cemitério é alvo deste tipo de crime. Os cinco túmulos tiveram as lajes removidas, os caixões abertos e revirados. Um deles estava vazio; três outros tinham corpos de homens - dos quais, apenas um foi mexido - e o último, o corpo de uma mulher, que foi o mais manipulado. Todos os corpos foram enterrados neste mês.
Segundo o fiscal do cemitério, José Mariano, as violações devem ter ocorrido entre meia-noite e 0h40 da terça-feira, durante uma forte chuva que caía no momento. Os dois vigias estavam lá para baixo fazendo a ronda e, quando começou a chover forte, vieram para a entrada principal, já que naquela área não tem proteção. Ao voltarem, 40 minutos depois, encontraram os túmulos arrombados, explicou. Segundo o fiscal, os dois vigias não viram nem ouviram nada de estranho.
Quatro das sepulturas violadas estão localizadas na quadra 121 e uma, a vazia, na quadra 122, na mesma área do cemitério onde foram registrados os crimes anteriores. Mariano explicou que a polícia foi chamada assim que foram constatadas as violações. Quando me avisaram, a polícia já estava no local. E quando cheguei aqui, os peritos já tinham ido embora e o delegado nos autorizou a lacrar os túmulos, contou.
Ontem pela manhã, as sepulturas já haviam sido refeitas. Para Mariano, o responsável pelas violações estava só esperando uma oportunidade qualquer para agir novamente. Só pode ser um doente. Nem depois de mortos deixam estes coitados em paz, lamentou.
Segundo o delegado Jorge Barbosa, do 5º Distrito Policial, quem atendeu a ocorrência foi o delegado Valdir Abrahão, que estava de plantão no momento. Mas, para ele, não restam dúvidas que quem cometeu estas violações foi a mesma pessoa - ou as mesmas pessoas - responsável pelas outras ocorrências. Estou desconfiado que isto tudo está ligado a macumba, magia negra. Ou então é um louco completo, disse.
O delegado, reponsável pela investigação dos casos anteriores, diz que o trabalho não está sendo fácil. Vou pedir uma equipe, ainda hoje (ontem), ao dr. Wanderci (Corral Fernandes, delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina) para me ajudar. Sem isto, não vai dar para continuar as averiguações, contou, lembrando que conta apenas com um investigador naquele distrito.
Segundo ele, nas últimas ocorrências foram ouvidas 12 pessoas, mas não houve nenhuma conclusão. Até o apelo que fizemos, para que a população fizesse denúncias anônimas, não deu o resultado esperado, apontou.
Para Barbosa, não é possível afirmar se o crime foi cometido por uma ou mais pessoas. Na verdade, qualquer um com uma barra de ferro poderia ter aberto aqueles túmulos. É só forçar um pouco a tampa, explicou. Segundo ele, também não é possível dizer se houve necrofilia - perversão sexual que leva a pessoa a gostar da proximidade física com cadáveres e a manter relação sexual com mortos.
O cadáver feminino estava muito mexido, em posição que indica ter havido relações sexuais. Mas só é possível afirmar, com certeza, depois que eu receber o laudo do legista, disse. Segundo o delegado, ele ainda não recebeu nem o laudo da última violação, ocorrida no dia 2 de dezembro do ano passado. Não posso nem afirmar que aquele sofreu abuso sexual.
Questionado, o chefe do Instituto Médico Legal, Antônio Carlos Queirós, disse que, neste caso, ainda não recebeu material para análise. Os dois únicos que analisamos foi o primeiro caso (de novembro), com mutilação de cadáver; e o segundo (dezembro), onde havia suspeita de necrofilia mas que não foi confirmada, explicou.
Segundo ele, os laudos destes casos já foram entregues a um delegado, sem, no entanto, apontar qual seria este delegado. O perito do Instituto de Criminalística que atendeu o caso, José Carlos Miranda, já havia deixado o plantão e não foi possível localizá-lo.


