No auge da juventude, o expedidor Leandro Carvalho Saturnino, 24 anos, foi sepultado no início da tarde de ontem no Cemitério Padre Anchieta, em Londrina. Esse foi o desfecho da batalha travada pelo rapaz para ser internado em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que durou das 3 horas do último domingo - quando ele se envolveu em um acidente de trânsito -, continuou com um atendimento improvisado no Hospital Universitário (HU) e terminou tragicamente na tarde de quarta-feira, sem que ele conseguisse o tratamento que o caso exigia por causa da superlotação nos hospitais. O pior é que o sofrimento vivido por Leandro acomete outros quatro pacientes, que também precisam de tratamento intensivo.
Filho caçula do eletricista João Alcalde Saturnino, 50 anos, na madrugada do último domingo Leandro voltava de uma festa de aniversário de um amigo pela PR-445 pilotando a moto comprada há cinco anos, quando foi atingido por trás por um carro. O motorista acionou o socorro e o rapaz foi encaminhado pelo Siate até o Hospital Universitário (HU) com traumatismo craniano grave. Era o começo da angústia da família atrás de um leito de UTI para tentar salvar o jovem. ''Por não ter vaga na UTI do HU, ele ficou numa salinha do PS com outros dois pacientes, em coma. Depois, foi transferido para outra sala sozinho, onde ficou monitorado por aparelhos'', detalhou.
Leandro, segundo o pai, chegou a esboçar um princípio de reação, mas o quadro dele só se agravou. Às 13h15 da quarta-feira, depois de quase 70 horas esperando uma vaga na UTI, a família foi comunicada da morte. ''Acredito que não seria essa vaga que iria salvar o Leandro, mas ele merecia uma chance, um atendimento digno. Sempre fomos pessoas de bem, que pagam seus impostos, e só gostaríamos que dessem mais atenção para que isso não viesse a acontecer com outras pessoas'', desabafou João, logo após sepultar o filho.
Ontem, pelo menos outras quatro famílias viviam o mesmo drama de João. Segundo a assessoria do HU, quatro pacientes aguardavam no pronto-socorro o surgimento de uma vaga de UTI adulto porque todos os 17 leitos estavam ocupados. Um deles esperava por um leito há três dias. No PS médico, a situação não era diferente: com 19 pacientes acima da capacidade, o atendimento foi restringido das 8h30 até as 17 horas.
A situação não era diferente na Santa Casa, onde os 35 leitos de UTI adulto estavam ocupados. Outros dois leitos para pacientes graves tiveram que ser instalados provisoriamente no pronto-socorro. No PS do Hospital Evangélico, o cenário era praticamente o mesmo. Até os leitos destinados para pacientes em observação precisaram ser ocupados por pacientes internados. A diretora clínica do Evangélico, Rossana Graciano de Resende, estimou que o quadro não deveria se alterar até o final da tarde de hoje.

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