Sepultado jovem atropelado em Terminal
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quarta-feira, 25 de junho de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Representantos do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) acompanharam, ontem, o enterro do deficiente visual e mental Anderson Amaurílio da Silva, 21 anos, que morreu anteontem, na Santa Casa de Londrina, em consequência do atropelamento ocorrido no dia 13, no Terminal Urbano, durante um protesto contra o aumento na tarifa de transporte coletivo. O sepultamento foi no meio da tarde, no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte).
Anderson permaneceu mais de uma semana na UTI do Santa Casa, após ser atropelado por um ônibus no dia 13. Seu estado se agravou no final da semana passada e o jovem não resistiu aos ferimentos. Segundo familiares, a mãe do jovem, Cleuza Aparecida da Silva, passou mal várias vezes durante o velório e precisou ser retirada da capela para se acalmar.
Cleuza disse que chegou a conversar com o rapaz quando ele estava internado, mas informou que Anderson não lhe disse nada sobre seu acidente. ''Não dava pra entender muito o que ele estava falando'', disse ela. Transtornada, Cleuza preferiu não comentar mais nada com a imprensa. Anteontem, o pai de Anderson, Antônio Albino Cardoso, havia declarou à Folha que o filho lhe disse, quando ainda estava consciente, que tinha sido empurrado por policiais militares no momento do acidente.
No velório, familiares comentaram que desconfiam que Anderson pode ter sofrido ferimentos mais sérios devido à forma como foi carregado por policiais militares depois de ser atropelado.
O irmão de Anderson, Cléber Márcio da Silva, disse que ele e o irmão compraram uma data no jardim Paris (zona norte) para construir duas casas. Numa delas, o jovem atropelado morava com a mãe e mais três parentes.
As responsabilidades pelo tumulto do dia 13 estão sendo investigadas em inquérito do 1º Distrito Policial (DP). O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jorge Barbosa, disse ontem que apenas o laudo de necrópsia do Instituto Médico Legal (IML) poderá apontar se o estado de saúde do jovem foi agravado devido à ação dos PMs.
Ninguém do comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) foi localizado ontem à tarde para comentar o assunto.
O DCE quer criar um comitê para exigir ''justiça'' nas investigações da morte de Anderson. Os estudantes disseram que vão reivindicar a criação do Dia Municipal contra a Opressão Social, a ser celebrado em 13 de junho.
Anderson foi enterrado sob uma salva de palmas.


