Sepultado corpo de Luciene Smolarek
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de setembro de 1998
Israel Reinstein 
Ontem, no dia em que completaria 19 anos, a curitibana Luciene Ribeiro de Paula Smolarek foi enterrada no cemitério do Água Verde, em Curitiba. O sepultamento foi realizado sob uma tensão silenciosa entre a família da jovem, assassinada no Chile há 53 dias, e a do marido, Aristóteles Smolarek, apontado como principal suspeito da morte de Luciene.
Com a presença de policiais da Guarda Municipal, o corpo de Luciene
foi levado até ao túmulo, que pertence a família Smolarek. Aristóteles trazia no braço um ramalhete de rosas vermelhas e vestia um terno preto, em sinal de luto. Apesar da aparente tranquilidade entre as duas famílias, os parentes de Luciene referiam-se ao rapaz como assassino. Quando colocaram o corpo na urna, os pais de Luciene - Maria Judite e Paulo de Paula - tiveram que ser consolados pelos parentes. Meu Deus, entreguei a minha filha para este maldito acabar com ela, disse aos prantos Maria Judite. Com o desabafo de Maria e Paulo, os parentes dos pais começaram a ficar impacientes, o que fez com que Aristóteles saísse rapidamente do cemitério.
Para Paulo de Paula, a trégua entre as famílias encerrou-se com o enterro de Luciene. A partir de amanhã, ele vai pedir ao advogado, Dioclécio Alves de Oliveira, que comece o processo pela guarda da neta, Vanessa Smolarek, de nove meses. Paulo alega que Vanessa não é filha de Aristóteles, que, segundo ele, somente teria registrado a criança em seu nome. Por isso, Paulo pretende pedir um exame de DNA. Luciene teve Vanessa com outro rapaz, que já se propôs a fazer o teste para mostrar a verdadeira paternidade, disse. Atualmente, Vanessa está sob a guarda da mãe de Aristóteles, Lucy Smoralek.
O marido disse que não pretende se pronunciar sobre o caso e que qualquer pergunta da imprensa (inclusive sentimentais e psicológicas) deve ser feita ao seu advogado, Osman de Oliveira. O advogado, que se notabilizou por inocentar Celina e Beatriz Abagge, acusadas de matar um criança em ritual de magia negra, estava ontem no Chile para ver como está o processo que apura a morte de Luciene. Ao contrário da versão da polícia chilena, que acusa Smolarek, o advogado defende a tese de que a moça pode ter sido morta num assalto.


