Sepultado bebê morto por cachorro
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sábado, 07 de janeiro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Ontem a dona de casa Regina Lúcia de Moraes, 31 anos, tentava entender a tragédia ocorrida na tarde de anteontem, quando sua filha Ana Luiza de Moraes, de 17 dias, foi atacada por um dos cachorros da família e morreu vítima de traumatismo craniano. O sepultamento foi ontem, às 17 horas, no Cemitério João XXIII. Há dois anos Regina perdeu uma outra filha, na época com seis anos, de câncer. Um ano atrás seu irmão enforcou-se por causa de uma dívida.
Rambo, um cão sem raça determinada aparentemente um mestiço de boxer estava com a família há cerca de sete meses e só de uns dias para cá passou a transitar livre pelo quintal das duas casas localizadas na Rua Serra da Fartura, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste). A própria Regina, e nem ela sabe direito por que, começou a soltá-lo em alguns momentos do dia. ''Acho que por dó'', revelou.
Pouco depois das 16 horas da última quinta-feira, a dona de casa acordou a nenê para que ela mamasse. Trocou-a e colocou-a de volta na cama, enquanto pedia para que a filha mais velha, Giovana, de seis anos, fosse tomar banho. A intenção era sair com as duas para passear no final da tarde.
Enquanto torcia roupinhas de Ana Luiza no tanque localizado fora da residência, Regina ouviu-a chorar, mas resolveu terminar de colocar as fraldas no varal antes de ir vê-la. ''Foi a primeira vez que deixei ela chorar um pouquinho. Depois de um tempo ela parou, achei que tivesse dormido de novo, mas de repente ouvi os gritos da Giovana, que entrou no quarto e viu o cachorro em cima da nenê.''
Regina contou que conseguiu sem muita dificuldade que o cão soltasse o bebê, mas que enquanto gritava por socorro, já na frente da residência, ele a atacou, mordendo seu braço e costas. Segundo a dona de casa o cão é bravo, mas nunca tinha atacado ninguém da família. ''Fazia uns 10 minutos que eu tinha soltado ele. Não sei direito o que aconteceu. Acho que ele entrou na casa e subiu na cama, acordando a nenê, que deve ter se mexido e daí ele se assustou'', imagina Regina.
No dia do acidente, uma moradora do bairro revelou que o cão já tinha mordido uma pessoa na vizinhança. Ontem o auxiliar de produção Claudemir Bertoncini revelou ter sido vítima de Rambo pelo menos quatro vezes. Quando eu trabalhava à noite passava aqui de bicicleta e acho que às vezes ele escapava do quintal. ''Ele só não me machucou porque fui esperto.''
O cão foi levado por um conhecido da família e permanece em observação, a pedido da Vigilância Sanitária. Regina já foi medicada com uma dose de vacina anti-rábica. ''A grande preocupação, em casos como este, é o animal estar contaminado com o vírus da raiva, que tem um período de incubação de aproximadamente cinco dias. A raiva não tem cura, por isso, independente do animal apresentar sintomas, já começamos a administrar a vacina. O número de doses depende da extensão da lesão e do tipo de animal'', explica Sonia Fernandes, gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com o médico plantonista do Siate, Sérgio Canavesi, este foi o único caso de ataque mortal de um cão em Londrina nos últimos 10 anos.


