Separação incorreta gera perdas
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - O que fraldas e absorventes usados, restos de alimentos, seringas e fezes têm comum? Nenhum é reciclável, mas são encontrados diariamente pelos catadores das cooperativas de Londrina. A separação incorreta gera perdas para os trabalhadores e acarreta em mais materiais destinados indevidamente à Central de Tratamento de Resíduos (CTR). Durante uma manhã a reportagem da FOLHA acompanhou o trabalho de triagem do material feito pelos catadores da Cooper Região.
Logo cedo Ademir Carlos Maziero e David Nogueira da Silva passam vistoriando o conteúdo dos sacos destinados à reciclagem e entregando novas embalagens, que serão recolhidas na semana seguinte. O objetivo é tentar evitar que material inadequado chegue ao barracão, aumentando a quantidade de rejeito. Já na primeira residência o saco plástico transparente mostra que junto a potes plásticos com restos de maionese estão frutas, legumes e restos de comida. O material está tão sujo que os catadores nem se dão ao trabalho de tentar separar o material. Em outro saco estão folhas e galhos secos, mostrando que o material é resultado da limpeza da calçada ou quintal.
"Quando o material está muito sujo não dá para levar, porque gera mau cheiro e atrai ratos para o barracão. Algumas pessoas também colocam roupas e sapatos, mas nós acabamos não levando, porque como o catador tem que carregar os sacos verdes, acabaria levando muito peso, o que prejudica a saúde", contou Guiomar Vieira, catador e supervisor.
Segundo ele, pelo peso do saco já é possível saber se há algo além do material reciclado. Em uma outra residência, a embalagem preta não permite ver o conteúdo. Vieira abre e, após breve inspeção, encontra um saquinho com fezes de animais. A embalagem é retirada e deixada ao lado do portão da casa.
"Tem gente que faz de propósito coisas desse tipo. Já teve uma catadora que durante a triagem no barracão achou uma caixinha embalada com papel de presente. Quando abriu, tinha um rato morto", lamentou Vieira.
Maziero disse que entre as coisas mais estranhas que encontrou no saco de reciclagem está um gato morto. Silva acredita que muito do material se perde porque as pessoas têm preguiça de separar o material. De acordo com Vieira, entre 25% e 35% do material se perdem já nesta primeira triagem. "Ainda temos muitos bairros problemáticos, inclusive alguns com moradores de melhor poder aquisitivo, onde se espera que as pessoas sejam mais conscientizadas", disparou.
Restos de construção
Outro material muito encontrado pelos catadores é resto de construção. Muitas pessoas optam por não contratar uma empresa especializada para fazer o recolhimento, ou por ser em pequena quantidade, e acabam colocando para a reciclagem. Segundo ele, alguns moradores inclusive esperam os catadores fazerem a triagem e colocam os restos depois, junto com o material correto, nas bandeiras, pontos onde os sacos são armazenados à espera do caminhão coletor.
"O pessoal do caminhão deveria apenas pegar o material das bandeiras, mas eles acabam tendo que fazer essa nova separação, quando desconfiam de algo errado. O pior que muitas vezes o morador liga depois na CMTU para reclamar que não pegamos o reciclável", reclama.
Muitos moradores, porém, já estão bem conscientes da importância da reciclagem e da separação correta do material, como a professora aposentada Maria Tereza Gregório. "Fiz vários cursos de reciclagem, então sei direitinho o que pode e o que não pode."
A comerciante Cristiane Garcia trabalha com alimentação e por isso toda semana tem uma grande quantidade de material, devidamente separado. "Já sabemos o que tem que ser reciclado. Só não consigo lavar todas as embalagens porque não dá tempo e é bastante coisa", justifica.
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