Na opinião do pediatra londrinense Renato Mikio Moriya, a melhor opção, no caso das mães que estavam presas com os bebês, teria sido encontrar um local mais adequado para que pudessem permanecer juntos, principalmente no caso dos dois bebês mais novos. Ele explicou que, nos primeiros meses, justamente a fase que coincide com o período de amamentação, a mãe é a única referência da criança e o contato entre os dois é importantíssimo.
‘‘Nesta fase, não dá nem para dissociar o leite como alimento, simplesmente. Além do aspecto nutricional, ele também funciona como um complemento emocional’’. Segundo o médico, a simbiose entre mãe e filho nesta fase é tão intensa que a criança não consegue dissociar-se da mãe. O bebê não tem percepção própria e sem o contato com a mãe é como se ele ficasse no vazio, se diluísse. ‘‘Trata-se de um período em que o físico e o psicológico caminham muito próximos. Se um não estiver bem, o outro também não estarᒒ, acrescentou Moriya.
Segundo o pediatra, por mais que a criança seja bem-cuidada por outra pessoa, ela perceberá que esta não é sua mãe. E são através de coisas aparentemente simples, como a forma de segurar, o cheiro, o tom da voz, que o bebê sente a presença da mãe. O médico preconiza que, em casos em que não há outro jeito, e a separação entre mães e filhos se faz necessária, esta deve ser feita da forma menos traumática possível, de preferência gradativamente. ‘‘Uma criança de sete meses, por exemplo, já tem condições de tolerar melhor a separação. Mas para um recém-nascido o trauma é muito grande, causando alterações psicológicas que podem ser para o resto da vida’’. (S. L.)

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