As três mães presas no 2º Distrito Policial, localizado na zona leste de Londrina que viviam com os filhos dentro de uma cela e foram separados deles anteontem por ordem do juiz da Vara da Infância e da Juventude, Dimas Ortêncio de Mello, estão revoltadas com a determinação. ‘‘Aqui é frio e úmido, mas o importante é que eles estavam conosco, recebendo carinho e atenção o tempo todo’’, dizia ontem de manhã Rita de Cássia Henriques, inconformada por estar longe da filha Kathellin, de pouco mais de 20 dias.
A determinação do juiz foi feita em resposta a pedido da promotora Édina Maria Silva de Paula, da mesma Vara. Segundo Dimas Ortêncio, a decisão foi tomada depois que uma assistente social esteve visitando o local e constatou falta de condições para os bebês permanecerem na cela. ‘‘Havia risco de doença e o lugar é frio. Sem falar no risco de vida, caso aconteça uma rebelião ali dentro’’, explicou o juiz. Ele informou que as crianças estão recebendo todo o acompanhamento, inclusive pediátrico, mas admitiu que deverá levar uns dias até a Justiça definir a melhor forma de garantir aos bebês o direito à amamentação. Duas das crianças foram encaminhadas para entidades de assistência social. A outra, de nove dias, está com a família da mãe, que reside em Londrina.
Maria Cristina Nalevaiko, presa por furto, explicou que nunca tinha se separado do filho Mackaully, prestes a completar sete meses. Ela é de Curitiba e aguarda resposta de pedido de liberdade provisória. ‘‘No meio da tarde vieram buscar as crianças. Não deixaram nem a gente avisar nossas famílias’’, queixou-se.
Rita de Cássia Henriques, condenada por tráfico de drogas e aguardando sentença, mostrou uma carta que estava escrevendo para o juiz corregedor de presídios de Londrina, Roberto do Valle. Nela, Rita argumenta que a Justiça está mais preocupada com os filhos delas, só porque são detentas, do que com aquelas que passam frio e fome pelas ruas ou vivem em total miséria pelas favelas. ‘‘Por que os juízes não se preocupam em assegurar os direitos também destas crianças que estão morrendo por aí, sem ter o que comer e o que vestir? Antes de sermos presas, nós somos mães’’, afirmou.
Segundo ela, tudo era feito para que não faltasse nada aos bebês dentro da cela. ‘‘Até fralda descartável eles usavam.’’ A outra presa, Alcilda Alves Berto, também está condenada e pode ser encaminhada para a Penitenciária Feminina do Estado em breve. Ela é mãe de Mateus Vinícius, de nove dias, que está com a cunhada. ‘‘Se eu for mesmo para Curitiba, só espero que deixem eu levar meu filho junto.’’ Ontem elas tiveram que recorrer a bombinhas para tirar o excesso de leite dos seios.

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