O programa ‘‘Lixo que não é lixo’’, implantado em Curitiba em 1989, é referência em todo o país, mas a população da cidade ainda não está totalmente convencida da importância da separação do lixo reciclável. Hoje, 16% do lixo domiciliar produzido na capital é reciclável. O índice de separação é bom em comparação ao de outras cidades brasileiras, mas a educação ambiental ainda não é suficiente.
Apesar de existir um programa municipal para incentivar a coleta seletiva de lixo nos condomínios residenciais, síndicos de edifícios mencionam a falta de espaço para armazenar o lixo reciclável e o desinteresse de parte dos moradores como as principais dificuldades para implantar a separação.
Marcelo AlmeidaFalta infra-estruturaA subsíndica Vera Borges diz que os moradores dos 80 apartamentos do condomínio não separam o lixo por falta de infra-estrutura. O zelador João Batista conta que apenas 30% dos moradores separam.’’Colocamos o material que conseguimos juntar na rua, para ser levado por catadores de papel’’, diz.Segundo a subsíndica do Edifício Paraná - na Rua Comendador Araújo, no centro - Vera Ribeiro Borges, os moradores dos 80 apartamentos do condomínio não separam o lixo. Ela justifica que parte dos condôminos não concorda com a separação do lixo e que seria necessário mudar a infra-estrutura do prédio para participar da coleta seletiva.
‘‘Primeiro é preciso mudar a cabeça das pessoas porque a separação do lixo tem que acontecer dentro de casa, muitas vezes sob a responsabilidade de empregadas domésticas ou diaristas’’, diz.
Vera explica que a hipótese de separar o lixo no prédio já foi levantada, mas não há espaço para o armazenamento. ‘‘O caminhão da coleta seletiva passa três vezes por semana e não temos onde guardar o material’’, diz.
O zelador do Edifício Santa Júlia, na Praça Osório, João Batista, conta que apenas 30% dos moradores separam parte do lixo. ‘‘Não temos onde guardar o lixo reciclável. Colocamos o material que conseguimos juntar na rua, para ser levado por catadores de papel.’’
A prefeitura argumenta que vêm tentando aumentar a participação de moradores de condomínios com campanhas dirigidas, mas que é necessário ter mais interesse da própria comunidade.
Um exemplo da ineficiência das ações educativas da Prefeitura é a colocação de lixeiras comuns nas ruas onde circulam carros e pedestres. As lixeiras seletivas - com um cesto para lixo orgânico e outro para lixo reciclável - são instaladas apenas em parques, ruas exclusivas para pedestres e praças. ‘‘O motivo é o mau aproveitamento do equipamento - cada lixeira seletiva custa cerca de R$ 300 - já que nos locais de maior trânsito as pessoas não respeitam a separação’’, lembra Tocchio.
Tocchio explica que é necessário, entretanto, oferecer várias opções. ‘‘É melhor o lixo ser depositado em lixeiras comuns do que ser jogado no chão’’, diz.

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