Um dos maiores problemas apontados pelas pessoas que deixaram seus locais de origem por causa de usinas é a ruptura familiar. O agricultor Lucindo Svistalski, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), disse durante o encontro que sua mãe, de 70 anos, não quis abandonar a região de Três Barras do Paraná , onde foi construída a Hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu. ‘‘Ela ficou sozinha, enquanto os filhos foram assentados em Cascavel’’, disse Svistalski, que plantava milho e feijão no sítio da família, junto com os irmãos. ‘‘Cada um foi para um lado’’.
A separação da família também é a principal reclamação do agricultor Ilídio Melrer, que morava em Nova Prata do Iguaçu e, há três anos, foi transferido para Cascavel. ‘‘Agora tenho sete alqueires de terra e até ganho mais do que antes, mas o fato de estar longe dos pais e irmãos pesa muito’’. Dois irmãos de Melrer foram para São Paulo e os pais mudaram-se para Salto do Lontra. ‘‘Por causa disso, minha mãe entrou em depressão. A mudança cultural é grande e não compensa’’, advertiu. (C.L.)

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