Ao decidir se separar, o casal deve administrar não apenas os próprios sentimentos, mas levar em conta o sofrimento vivido também pelos filhos. A psicóloga Vilmara Sanches Russo e a psicopedagoga Helenita Muller, de Londrina, afirmam que, independente da situação, uma separação é sempre dolorosa para as crianças envolvidas. Por isso, é necessário muito cuidado ao enfrentar o problema para que todo o processo seja compreendido pelos filhos do casal de uma maneira que cause o mínimo prejuízo possível.
Helenita disse que os pais não devem tentar esconder a situação e a criança precisa ser informada do que está acontecendo com a família. Porém, são necessários alguns cuidados nesta etapa. ''Para explicar a separação é preciso adequar a linguagem para facilitar o entendimento sem subestimar a inteligência da criança'', disse. Ela acrescentou que os pais devem explicar o motivo da decisão e deixar claro que a criança não é culpada pela situação.
A psicóloga destacou que as pesoas envolvidas no processo não podem esquecer que existe ex-marido e ex-mulher, mas não existe ''ex-pai'' e ''ex-mãe''. ''O pai e a mãe são vistos como referência para a criança, por isso é preciso preservar estes papéis'', afirmou. ''Não se deve falar mal do outro conjuge para os filhos, afinal de contas ele é pai ou mãe das crianças e precisa ser respeitado perante elas'', completou Vilmara.
Manter a rotina
Brigas, gritos e agressões devem ser evitados ao máximo, já que este comportamento pode causar traumas e consequências emocionais. ''A criança não deve presenciar este tipo de cena que é muito prejudicial ao desenvolvimento'', destacou Helenita. Ela disse que durante o processo de separação muitos pais acabam competindo para ter o apoio dos filhos. Em vez de poupar as crianças eles as deixam em um ''campo de guerra''.
Para Vilmara, após a separação é importante que a pessoa que ficou com os filhos tente manter a rotina da casa ao máximo possível. ''É uma forma de manter o referencial. Os pais não devem se tornar permissivos demais como forma de compensar o sofrimento'', disse. ''É necessário manter os limites e regras e não substituir o ter pelo ser'', completou a psicóloga.
Outra dica passada pelas profissionais é orientar as crianças que estão em fase escolar para que elas saibam lidar com questionamentos de coleguinhas e parentes. Elas recomendam que os filhos sejam ensinados a responder às pessoas de forma educada mas que encerre o assunto. ''Muitas vezes a criança não tem maturidade para elaborar um raciocínio sobre este assunto e algumas pessoas buscam informações da situação da família pela criança'', explicou Helenita.

mockup