''Toda vida é para legalizar e nunca legaliza''. Foi assim que o desempregado José Dega de Moura, 62 anos, recebeu a notícia de que a Vila Guarujá pode ser, enfim, regularizada. Moura mora no local há 30 anos e até hoje não conseguiu a escritura de sua casa. ''Fiz o requerimento do uso capião, mas até agora não saiu nada'', explica.
Dona Ornélia Lopes dos Santos, 72, também espera anciosa pela escritura definitiva da casa que comprou há oito anos, depois que teve que deixar a fazenda onde o marido trabalhava, em Roncador. ''O bairro é pobre mas serve para a gente. Dá para ir vivendo. Falta só condições pra se fazer uma casa melhor''.
Cacilda Silveira Vieira, 40, conta que se acostumou com o bairro, onde mora há dois anos. ''O que falta é emprego'', reclamou. ''O resto está bom'', completou a vizinha dela, Júlia de Oliveira, 54. Boa parte dos moradores da Vila Guarujá trabalhava no ''garimpo'' do lixão da cidade, que ficava no bairro e foi desativado no início do ano.

mockup