O produtor rural Pedro Cassiolo participou na noite de quarta-feira de uma partida de futebol entre amigos e retornou para casa desconfiado que a madrugada fria que se aproximava não seria normal. O irmão Luiz Cassiolo, por exemplo, já estava nas estufas de tomate e pepino instaladas na propriedade de 25 alqueires da família, no distrito de Guaravera, na zona sul de Londrina, acendendo o carvão para aquecer o ambiente e evitar perdas na produção. O pai, João Cassiolo, conferia no termômetro a temperatura entre 3 graus e 4 graus.
Luiz, segundo o irmão Pedro, deixou as estufas já na manhã de ontem. Satisfeito. O carvão queimado protegeu o pepino e o tomate. O próprio Luiz não tinha na manhã de ontem do que se queixar. Ele é o responsável pela granja da propriedade, onde as aves estão em idade que suportam a queda brusca da temperatura. Mas João, o pai, demorou muito para tomar a decisão de ir até a lavoura de café. ‘‘Fez menos de 4 graus. Não precisa nem conferir o café. Queimou mesmo’’, justificou.
Seo João tem 20 mil pés de café de três anos plantados no sistema semi-adensado e outros cinco mil pés novos. Os de três anos já renderam a primeira colheita – cerca de 150 sacas de café em coco – e poderiam dar boa produção no ano que vem. Mas, conforme seo João, terão que ser podados e a esperança é a rebrota. Os novos foram aterrados até as folhas, mas mesmo assim sofreram com as geadas.
Foi, segundo João Cassiolo, a quarta geada que ele, aos 67 anos, está enfrentando como cafeicultor. O temor dele ontem era da possibilidade do fenômeno voltar a ocorrer na madrugada de hoje, talvez com mais intensidade ainda.
Na propriedade vizinha, a lavoura de café ocupa um terreno mais alto mas não escapou das geadas. Como nas plantas de seo João, as do vizinho também já aopresentavam, às 10 horas de ontem, as folhas sapecadas. O trabalhador rural José Bispo de Alcântara, 51 anos, ainda acreditava que os galhos não haviam sido atingidos.
O temor dele, entretanto, era igual a do cafeicultor vizinho: as geadas poderiam voltar a ocorrer. E, sendo, assim, com uma violência quase fatal.

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