No Conjunto Habitacional Avelino Vieira (zona oeste), a dona de casa Dalice da Silva Pereira, de 60 anos, lembra que não havia nada. "Naquela época a gente dependia do Jardim Bandeirantes para tudo. Não tinha ônibus que vinha para cá e a gente caminhava de 25 a 30 minutos para conseguir pegar o ônibus. Em dia de chuva era terrível", conta. Ela diz que a lama a obrigava a andar descalça para evitar a sujeira. Embora o bairro tenha sido um dos primeiros na região - ela reforça que viu os jardins Maracanã e Olímpico surgirem - destaca que o bairro é constantemente "esquecido" pelo poder público.

"Tiraram o posto de saúde daqui há oito anos para ser transferido para o Maracanã e agora nem lá ele fica mais. Temos que ser atendidos no Tókio", reclama. Dalice critica a falta de manutenção do asfalto do bairro e revela que a rede de esgoto foi implantada no bairro somente há dois anos. Natural do Patrimônio Luar, no município de São João do Ivaí (Vale do Ivaí), ela veio a Londrina com o marido em busca de trabalho. "Meu marido veio para trabalhar como pedreiro e ajudou a construir muitos prédios dentro de Londrina trabalhando pelas principais construtoras da cidade", relata.

Em outro canto da cidade, a funcionária pública Cleusa das Graças Carvalho, de 64 anos, que mora na Vila Casoni (área central), relata que vive em Londrina desde 1973. "Eu me lembro da construção da Rodoviária. A gente estranhou muito porque era muito espaço em comparação com a antiga, que era muito pequena. Foi uma coisa estrondosa na época. É uma das rodoviárias mais bonitas do Brasil", opina. Ela conta que quando chegou a Londrina ainda não havia o monumento do Marco Zero, que foi inaugurado em 1984. E que a região valorizou muito depois que um shopping center chegou à região. "O movimento mudou muito. Já tinha o movimento da Rodoviária, mas agora o volume de carros aumentou mais ainda. É o progresso que não para. Londrina é uma máquina locomotiva, que não tem o que segure o seu desenvolvimento", diz.

O representante comercial aposentado Pedro Movio, de 72 anos, mora perto dali e só lamenta que a o Terminal Rodoviário tenha atraído "um outro público" para o local. "Ficou um bairro complicado com a violência. Tem muito andarilho e usuário de drogas nessa região. Já fomos assaltados três vezes aqui", reclama.(V.O.)

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