Há pessoas que levam a sério a premissa de fazer o bem sem olhar a quem. Para muita gente não é preciso acontecer um desastre natural ou um massacre. Muitos têm o hábito de fazer algo concreto por quem mais precisa. E com um único objetivo: transformar vidas.
A consequência para quem é voluntário é um sentimento constante de satisfação pessoal. É o caso de um grupo de senhoras que confecciona enxovais para pessoas carentes há quase duas décadas em Londrina.
Toda tarde de terça-feira essas mulheres produzem roupas e outros materiais para famílias assistidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Tecidos e restos de tricô que parecem não ter mais utilidade aos poucos são transformados em mantas, toalhas de banho, roupas e sapatos em miniatura. São mãos habilidosas que não cansam de recortar, costurar, tricotar e, principalmente, ajudar.
''Montamos cerca de 25 kits por mês. É pouco diante da necessidade da cidade, mas fazemos o que está ao nosso alcance'', afirma Maria Alice Rodrigues, que há 18 anos integra o grupo, que se reúne na sede do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar).
Para Maria Alice pode parecer pouco. Mas não é. Isso porque a persistência no trabalho voluntário é tão importante quanto a mobilização quando ocorrem tragédias, como, por exemplo, as chuvas que devastaram o Litoral em março. A gerente administrativa do Provopar, Ana Lucia Conde, ressalta que as doações aumentam significativamente quando acontece alguma tragédia. ''As pessoas ficam mais sensibilizadas. O trabalho voluntário, no entanto, deve ser constante'', alerta.
De acordo com Aracy Turci Sidney, 80 anos, os benefícios proporcionados pelo trabalho voluntário são sentidos não somente por quem recebe o auxílio, mas também por quem decide ajudar. Ela classifica a atividade como ''um remédio para os problemas da vida.'' E não esconde a emoção ao contar um episódio simples, mas que foi suficiente para enchê-la de orgulho e dar a certeza de que a atividade voluntária é compensadora.
''Estava em um ponto de ônibus quando chegou uma mulher com um bebê que usava um sapatinho de tricô que eu fiz. Não falei nada, mas reconheci o sapato. Foi gratificante e fiquei realmente comovida'', conta.
Dever cumprido
Quem também faz um trabalho voluntário exemplar é a advogada Cláudia Regina Bonalumi de Moura. Há cinco anos, ela vai duas vezes por semana ao Asilo São Vicente de Paula para auxiliar no que for necessário na ala dos enfermos. ''Ajudo a dar banho, trocar, dar comida. Quando saio, sinto a prazerosa sensação de dever cumprido'', diz.
A necessidade de se sentir útil motivou a advogada a iniciar a jornada de voluntariado. ''Desde criança fico tocada com os idosos. Por isso procurei o asilo. Quando pisei na ala dos enfermos senti que era ali que deveria ficar'', relata.
Depois de tanto tempo de convivência, Cláudia não consegue mais ficar longe. Uma prova do envolvimento dela com a causa é o relato sobre um velhinho em especial. ''Ele não falava, não andava e não comia sozinho. Comecei a lhe dar atenção. Após um tempo, quando fazia carinho em seu rosto, lágrimas escorriam de seus olhos. Quando ele faleceu, há dois anos, chorei muito'', emociona-se.
E é por situações como essa que a advogada recomenda que todos que podem façam algum tipo de ação voluntária. ''Qualquer um pode ajudar, basta ter disposição. Sempre é possível encontrar um tempo.''
Serviço - Doações para a confecção dos enxovais dos bebês podem ser feitas no Provopar (Av. JK, 2.882). Equipe pode buscar o material. Informações pelo fone (43) 3324-2397.

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