'Senti que não sairia viva daquela casa'
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terça-feira, 04 de outubro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Ibiporã ''Foi Deus mesmo, Ele colocou a mão dele sobre mim e não me deixou morrer''. Carolina Francisca da Silva, 17 anos, é uma garota de fé. Inesperadamente, deixou ontem cedo as dependências da Santa de Casa de Londrina, dois após ter sido covardemente esfaqueada pelo ex-companheiro, o auxiliar de produção Márcio Pereira de Araújo, 23, que está preso na Delegacia de Ibiporã.
Para surpresa de médicos e amigos, Carolina está de volta, fora de perigo, e muito bem consciente do que a livrou do pior. Ontem, mais aliviada e amparada pelo carinho da família, ela recebeu a reportagem da Folha.
''Tenho certeza que foi livramento de Deus. Os médicos disseram pra meu pai que nunca tinha visto algo parecido. Os cortes foram todos superficiais'', contou Carolina, que é evangélica e frequenta a Igreja Assembléia de Deus no seu bairro. Ela teria levado cerca de 50 facadas. Carolina ainda não conseguiu se desvenciliar das lembranças do último domingo. Mesmo sendo atacada por Araújo, nunca parou de pensar na filha, a pequena Vitória, que tem apenas uma ano e seis meses. ''Só pensava nela naquela hora. Pedi a Deus para não morrer porque não queria deixar ela sozinha''.
Araújo tentou matar Carolina no domingo à tarde, por volta das 15 horas, dentro da casa dele. ''Ele me disse que queria conversar um pouco e dar um presente pra nossa filha. Quando entrei, ele me levou pro quarto e começou a bater. Eu tentei fugir, mas ele foi até a cozinha, pegou a faca e começou a me esfaquear na cabeça'', recordou. Carolina tentou se defender, colocando as mãos sobre a cabeça e por isso teve partes do braço e das mãos perfurados. Uma de suas orelhas quase foi arrancada por um golpe.
A vítima tentou fugir uma segunda vez, mas foi arrastada pelos cabelos. Foram os momentos em que teve mais medo de morrer. '' Nessa hora, senti que não sairia viva daquela casa. Tive muito medo de morrer por causa da minha filha'', afirmou. ''Ele só fugiu porque pensou que eu estava morta'', prosseguiu.
O ex-companheiro fugiu após o crime e foi se esconder na casa do irmão, na Vila Romana (Zona Leste de Londrina). Foi no forro da casa do irmão que ele foi achado pela polícia, anteontem à tarde. Araújo se disse arrependido do que fez e não esboçou qualquer tipo de reação ao ser preso. Ele não tinha antecedentes criminais.
Carolina continuará seu tratamento em casa, a base de muito repouso e antiinflamatórios. Pensa agora em retomar seus estudos terminou o ensino médio e concretizar o sonho de ser psicóloga. ''Tenho que pensar agora no futuro na minha filha''.


