Sentença de Marcelo Borelli deve sair em duas semanas
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quinta-feira, 05 de julho de 2001
Erika Wandembruck De Curitiba 
A juíza substituta Ilda Eloísa Correia, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, julgará no máximo em duas semanas o processo em que o assaltante Marcelo Borelli é acusado de torturar por 21 vezes uma menina de quatro anos. Ilda Correia foi designada a assumir o processo depois de a defesa de Borelli entregar as alegações finais sobre o caso. A juíza titular Marcelize Weber, que daria a sentença, vai estar em férias até o fim do mês.
Assumi os processos de todas as varas de São José dos Pinhais e Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, e não conseguirei julgar o caso antes, disse a juíza substituta. Nas alegações finais, o advogado de defesa Júlio Militão pede a nulidade do processo, alegando que Borelli não foi ouvido nenhuma vez pela Justiça. Também solicita o afastamento da juíza Marcelize do caso. Ela tinha autoridade para obrigar a Polícia Federal a trazer o Borelli para depor, mas não fez questão de ouvi-lo, disse Militão.
Segundo ele, em dezembro do ano passado a juíza teria dito em entrevista a uma emissora de rádio que não iria mais ouvir o acusado, pois não faria a vontade dele. É que Borelli se recusou a responder aos questinamentos da juíza por carta precatória. Ela tentou por inúmeras vezes ouvir o réu. Até chegou a pedir à presidência do Tribunal de Justiça para ir a Brasília, já que a polícia não autorizava a remoção de Borelli. Na ocasião, Militão alegou que o acusado tinha o direito de ser ouvido pessoalmente, na comarca em que está sendo julgado o processo.
A última tentativa de Marcelize Weber foi no dia 3 de maio, quando Borelli conseguiu a remoção para Curitiba, depois de ter feito refém um carcereiro da Polícia Federal, em Brasília. Entretanto, no mesmo dia, Borelli teve de retornar para a Brasília sem depor. O secretário de Segurança do Paraná, José Tavares, argumentou que o Estado não possuía condições para abrigar o assaltante.
A defesa tinha até o dia 22 de junho para entregar as alegações finais à Justiça. Mas preferiu entregá-la anteontem, quatro dias depois que
a juíza entrou em férias. Atrasamos porque fizemos uma boa defesa, o que requer um tempo maior, justificou o advogado. Ele disse que as considerações finais baseiam-se na forma ilícita com que a fita com as gravações de cenas de tortura contra a criança foram encontradas. A polícia entrou na casa de Borelli de madrugada e sem autorização judicial, afirmou.
O Ministério Público do Paraná solicitou uma pena de 226 anos para o acusado porque as cenas da fita de vídeo mostram ele espancando, afogando e pisando na barriga da criança.


