A sensibilidade começa na ponta dos pés e logo se espalha pelo corpo todo. "Eu sigo essa linha na sala e depois percebo os gestos das coleguinhas. É fácil", explica Yasmin Alves, de 8 anos. A bailarina participa de uma das oficinas do Instituto Roberto Miranda, antigo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc). A linha a que ela se refere nada mais é que uma fita crepe sobre um barbante que indica os limites da sala de aula. As alunas sentem o relevo do cordão com a ponta dos pés.
Yasmin nasceu com glaucoma congênito e é deficiente visual. Mas com o corpo sente a presença das colegas e reconhece a voz da professora. "No começo eu tinha medo. Começar não é fácil. Agora eu sou muito feliz aqui na aula porque eu me movimento. Eu faço tudo!", conta orgulhosa.
A professora Sabrina Rafaela Bueno vê um futuro brilhante para as novas bailarinas. "Já dei aulas para outras turmas com crianças sem deficiência. Elas desistem bem mais rápido. A força de vontade dessas meninas vai muito além do que a gente possa imaginar. São muito determinadas", avalia.
Dez alunas, com idade entre 5 e 12 anos, participam do projeto "Dançando um Sonho". A professora orienta as crianças por meio da fala e da descrição de cada movimento.

O instituto oferece oficinas gratuitas de balé, dança, inglês, espanhol e goalball.

Ela enxerga muito pouco, consegue ver apenas vultos e cores muito fortes.

O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional

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