Sensibilidade e criatividade nas telas
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terça-feira, 04 de outubro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Um misto de satisfação e orgulho pela realização dos trabalhos. Esta é percepção que fica ao observar os 40 alunos do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) ontem à tarde, na Casa da Cultura José Gonzales Vieira (Centro), durante a abertura da exposição 'Arte Especial'. Os alunos pudessem ver o resultado de seus trabalhos artísticos e de seus colegas iniciado em 2007 com a introdução da disciplina de Artes no instituto.
Ao todo, são 37 obras e 16 molduras desenvolvidas pelos alunos com deficiência intelectual. Eles partiram de uma criação livre ou dirigida, uma releitura de obras de arte abstratas e figurativas de pintores reconhecidos mundialmente.
A aluna Thalia Ariadne de Faria, 13 anos, fez questão de mostrar a releitura da série 'Gatos', de Aldemir Martins. Com o uso de tinta guache sobre o sulfite A3 e toda a delicadeza de pinceladas, a menina explica que usou sua criatividade e imaginação. ''E eu adorei o resultado, porque a pintura ficou bem alegre'', explica. ''Acredito que a nossa sensibilidade é fundamental para conseguirmos captar o que o pintor queria passar e fazer algo novo, colocando um pouco da nossa essência.''
Sensibilidade que a professora de artes Luiza Sella considera uma marca registrada dos alunos do Ilece. Luiza, que já trabalhou também com alunos do ensino regular, afirma que é o interesse do alunos especiais por aprender e a capacidade que eles têm de sentir o que a pintura quer transmitir que torna seu trabalho gratificante. ''Eles são atentos, criativos e muito participativos'', enfatiza.
''Trabalhar com a disciplina de artes com eles é uma oportunidade de também estimular sua autoestima, intuição, capacidade criadora e imaginação. Eles se sentem valorizados por perceberem que podem criar algo maravilhoso e que isso pode ser reconhecido pela sociedade'', complementa Luiza.
O aluno Paulo Augusto Goya, 35 anos, conta orgulhoso que fazer uma releitura da obra 'Abapuru', de Tarsila do Amaral, foi mais fácil do que ele imaginava. Goya explica que, apesar de algumas modificações, procurou utilizar as mesmas cores que a pintora a fim de destacar as cores vivas. ''Quando estou desenhando ou pintando sinto tudo diferente dentro de mim, é como se as coisas se transformassem e surgissem na tela'', destaca.
A professora de Artes, Margarete Galdino, diz que foram apresentadas as técnicas de pinturas aos alunos, que depois foram orientados no desenvolvimento das releituras. ''Hoje colhemos os frutos de toda a dedicação do nosso trabalho e do trabalho deles também.''
O Ilece é uma entidade filantrópica, que atende 360 pessoas com deficiência intelectual, de 0 a 60 anos, com atividades pedagógicas, aulas de educação física, informática, música e artesanato, além de sessões com profissionais diversos.
Serviço - A exposição pode ser vista até o dia 14 de outubro, das 14 às 19h, na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (Avenida Higienópolis, 1.910). Mais informações pelo fone (43) 3344-4987.


