Quem achou que o inverno deste ano estava fraco em Londrina, sentiu na pele a mudança abrupta das temperaturas. Na noite de segunda-feira, os termômetros despencaram e ontem começou com 4ºC, mas a sensação térmica era de -1º.
O comentário nas ruas era sobre o frio repentino, que pegou de surpresa principalmente aqueles que não estão habituados com o clima gelado. É o caso do grupo de Natal (RN), que veio à cidade para o 33º Festival de Música.
"O frio é uma novidade para nós. É algo muito diferente da nossa realidade. O frio que faz em nossa terra não é nem 10% do que estamos sentindo aqui", diz Marcondi Lima, diretor da Casa Talento, projeto social desenvolvido em Natal há 13 anos.
Lima acompanha o grupo formado por cinco violinistas e um violista. "A gente sabia que ia fazer frio, mas não desse jeito", comenta Igor Matheus Silva Lima, de 14 anos, ao ressaltar que foi preciso ir às compras. "Tive que comprar essa blusa porque lá a gente não usa roupa de frio".
Larissa Gabriely Nogueira Campos, de 14, surpresa com a fumaça que saía pela boca, garantiu que veio com a mala preparada. "O único problema é a preguiça que dá. Para acordar então, nem se fala", comenta, aos risos.
Quem também foi surpreendida com o frio é a violinista Eliana de Jesus Souza, de 36 anos. Moradora de Aracaju (SE), ela conta foi preciso garantir um par de luvas. "Os dedos ficam duros. Parece até que a gente perde a sensibilidade. Quando vim para o Festival em 2011 não estava tão frio assim."
Para quem já está reclamando das baixas temperaturas, é melhor se preparar para os próximos dias. De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, a temperatura mínima em Londrina pode chegar a 1ºC.

Atendimento
O trabalho de Referência Técnica do Serviço Especializado em Abordagem Social, conhecido como Programa Sinal Verde, é intensificado durante a Operação Noite Fria, realizado no inverno. Isso porque a função dos auxiliares educativos é abordar pessoas que estão em situação de rua e oferecer encaminhamentos, que podem variar desde o acolhimento institucional, promoção do retorno familiar com concessão de passagem ou atendimento técnico.
Segundo a assistente social Maria Lucimar Pereira, coordenadora do Sinal Verde, o município mantém convênio com três entidades: Serviço de Obras Sociais (SOS), Pão da Vida e Casa do Bom Samaritano. "Ao todo são 190 vagas. Com a Operação Noite Fria, conseguimos ampliar essas vagas, mas há uma oscilação, pois esses locais não funcionam como um albergue e sim como um espaço para acolher e atender a demanda de cada um. É um trabalho a longo prazo e não da noite para o dia", explica.
Diariamente, a equipe faz uma triagem com as entidades para saber as vagas disponíveis e vai a campo das 7 às 23 horas. O grupo também conta com o apoio de algumas instituições não conveniadas, que trabalham com acolhimento. "Nesta época do ano aumenta a aceitação para os encaminhamentos aos abrigos, porque o frio dói", observa Maria Lucimar.
O acionamento da equipe pode ser feito pela comunidade, por órgãos da rede municipal ou pela própria pessoa. Foi o caso de um homem de 32 anos, que ligou para o Sinal Verde ontem pela manhã. Ele contou à reportagem que está em situação de rua desde sábado e que é usuário de álcool e droga. "Tive um desentendimento familiar e vim para rua. Eu acabei ligando porque quero ajuda. Quero fazer um tratamento para dependência química", conta.
Segundo a coordenadora do programa, não há um censo sobre quantas pessoas vivem em situação de rua em Londrina. "Nos baseamos em uma pesquisa nacional realizada em 2007/08, que aponta uma população de 297. Porém, sabemos que esse número é maior pela avaliação dos próprios abrigos", afirma.

Serviço:
O Sinal Verde atende pelos fones (43) 9991-4568 e 9996-3497.

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