Um preso de 47 anos, detido por tráfico de drogas e associação para o tráfico, comenta que ao ler a sensação é de que saiu da cadeia. Ele diz que leva em média 15 dias para ler um livro todo e conta que sua predileção é por livros de auto-ajuda. Ele garante, no entanto, que também gosta de ler os romances de Érico Veríssimo. ''Quando eu leio as obras do Veríssimo é como se eu estivesse no lugar'', comenta.
O detento diz que o hábito tem feito com que ele melhore seu vocabulário. E mais do que isso, tem sido uma ''lição de vida''. ''Com os livros eu pude perceber que a vida oferece mais alternativas do que a delinquência'', conta.
A professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na área de educação, Lucinéa Aparecida de Rezende, trabalha com leitura há 13 anos e há dez fez uma pesquisa em que constatou que os presos não nutriam muito interesse pela poesia. Diante da informação do Patronato Penitenciário de Londrina de que os presos têm procurado livros de poesia para escrever cartas para suas namoradas, ela se mostrou surpresa.
Diz ainda que esse interesse reflete o ''desejo de sonhar'', pois a poesia ''fala de uma maneira menos dura e cria um pouco de encantamento.'' ''Eles querem sonhar como uma pessoa em uma relação amorosa'', comenta.
Ela acrescenta que não dá para viver sem ler porque o hábito faz bem, dá acesso a instrumentos que permeiam a vida e é matéria-prima na formação de qualquer sujeito. '' Nós temos que pensar no sentido mais amplo sobre o que representa um sistema prisional com vistas na recuperação do sujeito, pois hoje ele é mais um meio de isolamento do que de ressocialização'', acrescenta.
Lucinéa observa que de vez em quando acontecem iniciativas paliativas, mas não há um sistema educativo nas prisões. ''Precisamos investir socialmente nele para ajudar o sujeito a se prerceber melhor e a perceber as possibilidades de relações em bases sustentáveis'', completa.(V.O.)


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