Sensação de 'ninho vazio'
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Para os pais, os filhos podem ter barba e cabelos brancos que sempre serão vistos como filhos, às vezes até como crianças. A situação piora se estes morarem na casa dos pais. De acordo com a psicóloga Daniele Pedrosa Fioravante, de Londrina, muitos só percebem que os filhos cresceram depois que saem de casa, como se tomar esta decisão lhes desse a condição de adultos.
Apesar de simples, nem sempre este processo de mudança de casa é encarado com tranquilidade pelos pais, principalmente pelas mães, que tendem a se dedicar mais à criação dos filhos e muitas vezes deixam de trabalhar para viver integralmente em função do lar. ''Quando o filho decide sair de casa, muitos pais se sentem sem função. Esta sensação é completamente aceitável para uma mãe que se dedicou 20, 25 ou até 30 anos para um filho. Quando termina aquele compromisso ela, às vezes, se sente perdida'', explicou a psicóloga. Ela afirmou que os homens também passam por este processo mas demonstram sofrimento com menor intensidade e que o agravamento dos sintomas pode levar à depressão, se não for controlado.
De acordo com Daniele, estes sintomas podem desencadear a ''Síndrome do Ninho Vazio''. Neste período de ''despedida'', é comum os pais se sentirem tristes e sozinhos, e a situação pode piorar se na mesma época acontecerem outras mudanças na vida dos pais. ''É comum nesta fase um ou ambos se aposentarem ou ocorrerem alterações hormonais, como a menopausa. As mudanças na rotina e no corpo podem contribuir negativamente para o quadro'', explicou.
De acordo com a psicóloga, este tipo de síndrome é mais comum nos pais que vivem intensamente a vida dos filhos e passam a dedicar a maior parte da sua rotina para satisfazer a família. ''Percebemos que estes sintomas não são tão frequentes nos pais que levam uma vida a parte da dos filhos. Aqueles que trabalham, desenvolvem outras atividades, têm outros grupos de amigos não apresentam tanta dificuldade para encarar a saída do filho de casa'', afirmou Daniele.
Metas
A recomendação da psicóloga aos casais que se sentem deprimidos com a saída dos filhos de casa ocupar a cabeça. ''A ideia é buscar fazer um curso, programar uma meta, ter outros afazeres'', definiu. Apesar disso, ela lembrou que algumas vezes é necessária ajuda psicológica. ''A procura por um profissional para auxiliar deve ocorrer quando há dificuldade em superar a situação. Sabemos que as vezes os filhos não saem de casa por um motivo positivo. Em caso de brigas na família ou morte a situação fica mais difícil e as vezes é necessária a intervenção de um psicólogo'', explicou.
A profissional disse que a Síndrome do Ninho Vazio não possui uma duração exata e que a situação será reduzida na medida em que o casal se adequar ao novo modelo de vida. Daniele lembrou que em primeiro lugar é preciso querer superar o problema.
Para que os pais não sofram tanto com a nova situação na família, é importante que os filhos façam a parte deles. Daniele lembrou que uma maneira positiva é programar a mudança de rotina com antecedência, explicar os planos para os pais e incluí-los na preparação do projetos quando possível.
''Se for o caso de um casamento, é legal levar os pais para conhecer o local, falar sobre como será a nova rotina e deixar claro que apesar das mudanças, a relação entre pai e filho continuará existindo'', disse a psicóloga. Ela destacou que os filhos devem mostrar que consideram os pais importantes e que os pais devem lembrar que criam os filhos para que um dia eles possam dar conta da própria vida.


