Sensação de impunidade em muitas situações
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2019
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 
Segundo a gerente do CAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher), Lucimar Rodrigues, em muitas situações existe a sensação de impunidade quanto à violência contra a mulher, principalmente nas cidades que não contam com rede de enfrentamento fortalecida. Isto se reflete em agressores que não são detidos, que não recebem uma punição severa ou que não são afastados da vítima.
Em Londrina, Rodrigues garante que a rede funciona bem, o que evita situações extremas ou que o responsável pela agressão não responda por seus atos como deveria. "Temos os serviços do município, Vara Maria da Penha, promotoria. Nos casos que o agressor descumpre as medidas impostas pela Justiça é solicitada a imediata prisão. Muitos municípios não contam com rede e patrulha e depende somente da polícia. Somos referência para muitos estados", ressalta.
Mesmo com estes avanços conquistados ao longo dos anos, ela aponta que algumas questões precisam ser melhoradas. "A Delegacia da Mulher, infelizmente, funciona em horário comercial, enquanto que o correto seria trabalhar 24 horas todos os dias. Fizemos um documento com mais de 13 mil assinaturas e encaminhamos ao Estado para que mude isto. A Vara Maria da Pena está com muitos casos esperando, já que também atende ocorrências de crianças. O ideal era ter um tribunal único da mulher", sugere.
Como forma de conscientizar o agressor sobre os seus atos e com o intuito de mudar sua mentalidade, em 2018 foram atendidos pela Vara Maria da Penha, Patronato Penitenciário, com apoio de uma faculdade particular, os homens já condenados. Eles foram orientados para refletirem sobre o que fizeram, que não foi natural ou normal, mas uma infração. Para este ano existe a intenção de estender este serviço para os agressores com medidas protetivas.
A rede de serviços promoveu em 2018 oficinas e palestras sobre violência de gênero junto às escolas municipais e estaduais de Londrina, instituições de ensino superior, projetos sociais e grupos de mulheres. Outras ações foram desenvolvidas, como na Casa da Mulher, que oferta diversos cursos. (P.M.)


