Senjiro faz aniversário junto com Imin
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segunda-feira, 19 de junho de 2000
Osmani Costa De Londrina 
Quando ele chegou a Londrina acompanhado da esposa Maria Costa e seus quatro filhos mais velhos, em 1950, a cidade ainda vivia sua fase de instalação e da febre do café, com suas ruas estreitas e empoeiradas. Trabalhador incansável e dono de um bom-humor inabalável, o japonês Senjiro Horaguchi instalou sua pastelaria no antigo espaço do Bar Líder, na equina das avenidas Paraná (Calçadão) com Rio de Janeiro, na área central.
No último sábado, um dia antes das comemorações dos 92 anos da imigração japonesa no Brasil (Imin), Senjiro completou 88 anos de idade. Nascido em Nagano Ken, ele chegou no Porto de Santos com 21 anos, em 1933. Solteiro, foi ser desbravador e trabalhador rural em fazendas de café e algodão na região de Pompéia e Marília, no interior paulista.
Depois de casar-se com a brasileira Maria Costa em Itajubá (MG), em 42, ele fixou residência em Marília, onde nasceram os primeiros quatro filhos do casal. Em Londrina nasceram outros quatro filhos. Viúvo há quase cinco anos, Jorge Pasteleiro como foi carinhosamente chamado pelos londrinenses durante décadas tem 22 netos e nove bisnetos.
Quando chegamos a Londrina, vivíamos tempos difíceis do pós-guerra. Aquele problema todo do salvo-conduto. Tive a idéia de trabalhar no comércio e fui fazer pastel. Não sabia nada; aprendi a fazer fazendo, conta Senjiro, que teve seu estado de saúde agravado por um câncer há cerca de dois anos. Cada pastel custava um tostão de réis. Como não havia inflação, eu só aumentava o preço do pastel, proporcionalmente, quando havia reajuste do preço da Folha de Londrina. Aliás, o João Milanez (presidente do Conselho de Administração da Folha) era um grande freguês da minha pastelaria.
Depois que fechou o o Bar Líder onde havia cafeteria, charutaria, restaurante etc. , a pastelaria do Jorge mudou-se para a Rua Sergipe, em frente a antiga Rodoviária, e posteriormente para o Centro Comercial. Depois de encerrada a fase como comerciante e já aposentado, ele ainda foi ensinar os truques do pastel oriental em alguns bares e restaurantes da cidade.
No último sábado, ele esteve acompanhado de alguns filhos e netos na 40ª Exposição Agrícola da Acel, clube de origem japonesa, revendo velhos amigos octagenários e relembrando histórias da época em que ajudaram a construir Londrina. Mesmo tendo se submetido a uma operação por causa do câncer, Senjiro Horaguchi continua morando sozinho no Jardim Veraliz (zona oeste), onde cuida da casa e faz sua própria comida diariamente. Apesar de cansado pelo tempo entre os quais quase 40 anos fazendo pastéis , ele está lúcido e gosta de cuidar das coisinhas dele, de levar a vida num ritmo próprio e de preservar sua independência. Nós respeitamos a vontade dele, diz o filho Nelson, que é fotógrafo e tem 51 anos.
Nelson Horaguchi, que durante a infância e adolescência ajudou o pai na pastelaria, comenta que considera uma ironia o primeiro e mais famoso pasteleiro da cidade não ter sido seguido na profissão por nenhum dos oito filhos. O pastel do Jorge fazia muito sucesso. Era famoso em toda região de Londrina. O segredo era a massa fina, que ele mesmo aperfeiçoou ao longo dos anos, ressalta, lembrando que depois de tantos anos de trabalho o pai vive, hoje, com a aposentadoria de um salário mínimo mensal. Em 91, dois filhos levaram Senjiro para passear no Japão, durante três meses. Fiquei feliz de rever minha terra natal. Mas faz tempo que me sinto brasileiro e londrinense, afirma o mais antigo pasteleiro da cidade.


