Marcos NegriniEncontro com LernerO senador Suplicy: ‘‘Vou esclarecer as coisas com o governador’’.O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chegou ontem às 10h40 em Maringá e imediatamente viajou para Paranacity (140 quilômetros de Maringá), onde visitou uma agrovila modelo com 25 famílias assentadas. De lá, foi a Paranavaí visitar os dois sem-terra detidos (Delfino José Becker e Celso Anghinone). O senador ainda visitaria os sem-terra despejados da fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí, e as famílias acampadas em Querência do Norte. Para o final da tarde de ontem estava prevista uma viagem a Curitiba.
Na capital, Suplicy tem agendado um encontro com o governador Jaime Lerner (PFL). Ao desembarcar em Maringá, o senador criticou o posicionamento do governo do Estado na questão dos sem-terra. ‘‘De repente o governador deu uma guinada. Será que foi por que ele entrou para o PFL? De qualquer modo, vou esclarecer isso amanhã (hoje), numa conversa que deverei ter com ele, em Curitiba’’, afirmou
Na agenda do senador no Noroeste estavam marcadas audiências com a juíza Elizabeth Khater, de Loanda, que determinou a prisão dos sem-terra, e com promotores públicos.
Suplicy acredita que a violência no campo é provocada pelo descontrole e desorganização dos governos: ‘‘O ministro da Justiça, Íris Resende, extrapolou. Reuniu-se com os secretários de Segurança Pública dos estados, inclusive com o do Paraná, para dizer que a PM deveria agir junto com os produtores para expulsar os invasores e elogiou a PM do Pará no episódio de Eldorado dos Carajás’’.
Referindo-se ao episódio de Jundiaí do Sul, disse que houve uma reação de agricultores que não faziam parte do MST à uma agressão dos seguranças dos fazendeiros. ‘‘Um agricultor levou um tiro na perna. Quem deu destaque a isto?’’.
Suplicy considera importante não apenas fazer a reforma agrária mas também ‘‘expandir as formas do cooperativismo de produção, facilitar os créditos populares, expandir a participação popular nos orçamentos municipais e estaduais’’.
Habeas corpus Ontem, a Rede Autônoma de Advogados Populares - com mais de 100 advogados no Paraná e já em funcionamento no Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Bahia - entrou com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça do Paraná, em Curitiba, em favor dos sem-terra Delfino José Becker e Celso Anghinone, detidos em Paranavaí desde a última quinta-feira.
Segundo os advogados Marino Gonçalves e Hugo Gomes, a Rede trabalha gratuitamente para trabalhadores que não têm como pagar advogados. ‘‘Nosso lucro vem quando ganhamos ações na Justiça. Os perdedores têm que pagar os honorários. Desde 95, temos 20 ações contra fazendeiros de Santa Isabel do Iva풒, explicou Gonçalves.
A Rede foi fundada em 96 e funciona informalmente: ‘‘Não temos burocracia verticalizada. Apenas trocamos expriências. Atendemos sindicatos, cortadores de cana, bóias-frias e agora os sem-terra’’, disse Gomes.

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