O alto índice de criminalidade na área central de Foz do Iguaçu ‘‘expulsou’’ o Serviço Nacional de Aprendizado Comercial (Senac) de um prédio considerado um dos marcos arquitetônicos da cidade.
Após usar por 11 anos as dependências do edifício onde funcionou, na década de 40, um badalado hotel-cassino, a direção do Senac em Foz decidiu mudar de endereço. Motivo: prejuízos com arrombamentos e assaltos a funcionários e alunos.
LimiteA gerente do Senac Maria Erni Geich: ‘Chegamos a uma situação insuportável. A mudança de endereço foi um alívio para todo mundo’‘‘Chegamos a uma situação insuportável. Não tínhamos tranquilidade para trabalhar e nem podíamos garantir a segurança dos alunos’’, afirma a gerente Maria Erni Geich.
Desde segunda-feira passada, o Senac está instalado no Estoril Center, antigo hotel que se transformou em shopping e prédio comercial. O local é protegido por um esquema de segurança pago pelo condomínio.
Uma dupla de vigilantes armados e com walk-talkies permanece 24 horas em frente ao edifício, localizado na esquina da Avenida República Argentina com a Avenida Juscelino Kubistchek, uma das mais movimentadas de Foz.‘‘A mudança foi um alívio para todo mundo’’, afirma Maria.
No endereço anterior, Rua João Rover nº 64, em frente à Praça Almirante Tamandaré - próximo a Favela da Marinha, a mais antiga das quatro áreas ocupadas na margem do Rio Paraná - os 16 funcionários e os 250 alunos do Senac eram obrigados a enfrentar no local menores infratores que consumem crack e assaltam pedestres.
Ferido na mãoO assistente administrativo Rui Antônio Rocha chegou a ser ferido por um menor armado de canivete: ‘Cansei das ameaças dos assaltantes’‘‘Cansei de ser ameaçado e correr de trombadinha. Um dia reagi e acabei sendo ferido na mão com um corte profundo feito por um canivete’’, lembra o assistente administrativo Rui Antônio Rocha, 26 anos. ‘‘Só me levaram um tênis e depois ficaram zombando de mim’’.
Rocha conta que reviu ‘‘muitas vezes’’ o adolescente na praça. ‘‘Eles contam com a impunidade para continuar se drogando e praticando assaltos’’, disse. Como o assistente administrativo outros sete colegas relatam histórias semelhantes. ‘‘Alguns alunos desistiram de cursos noturnos pela fama do local’’, diz Maria Geich.
Nem mesmo a vigilância feita durante a noite evitava arrombamentos na lanchonete, invadida pela janela quase todas as semanas. ‘‘Nos correspondíamos frequentemente com a Polícia Militar e a Guarda Municipal informando a situação e nada de concreto foi feito’’, relata a gerente.
O major Ivan Vidal Graczyk, subcomandante do 14º Batalhão, disse à Folha que a região é ‘‘devidamente patrulhada, mas os flagrantes são dificultados pela facilidade de se fugir para o interior da favela’’.
‘‘O problema é que não podemos deixar homens e viaturas no local por carência também em outras áreas’’, justificou o major. A PM de Foz conta com 20 viaturas e 150 homens para patrulhamento ostensivo. Para Graczyk, o ideal seriam 400 homens.
Cézar Renato Zelinski, coronel que comanda a Guarda Municipal aponta outro obstáculo para que os trombadinhas continuem agindo. ‘‘A maioria tem família. Resultado: nós os recolhemos, eles passam uma temporada em projetos municipais de reintegração social, mas acabam voltando para a rua e para a criminalidade’’, resume. De acordo com Zelinski, a área só deixará de ser um ponto crítico de insegurança, quando for revitalizada.
A Praça Almirante Tamandaré já ganhou um novo projeto paisagístico e a prefeitura promete melhorias na iluminação das redondezas. O local deverá abrigar em breve um miniterminal de ônibus urbano, o que deve aumentar o trânsito e a circulação noturna de pedestres.Alto índice de assaltos e arrombamentos praticados por moradores de favela vizinha obriga Senac a deixar prédio histórico de Foz do Iguaçu. Os 16 funcionários e 250 alunos agora ocupam instalações num prédio comercial, cujo condomínio paga por um sistema de segurança particular que funciona 24 horas

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