'Sempre vão existir barreiras'
''Eu era um jovem animado, tinha a vida estabilizada, namorava há 16 anos, estava começando a viver e a construir meu patrimônio'', recorda o eletricista Paulo Sérgio Conceição, que no dia 8 de dezembro de 2000, aos 27 anos, sofreu um acidente que o deixou sem andar. Ele pilotava sua moto a caminho do trabalho quando foi atropelado por uma kombi. Sofreu esmagamento da coluna, teve o pulmão perfurado e passou por três cirurgias na coluna.
Conceição lembra que ainda na UTI constumava escrever o que sentia para mostrar aos médicos que estava consciente. Prestes a deixar o hospital, ele perguntou aos funcionários quando o efeito da anestesia terminaria, já que não sentia as pernas. Foi quando ficou sabendo que havia perdido os movimentos.
''Me disseram que eu seria um inválido e daria trabalho para a minha mãe pelo resto da vida. Ficamos desesperados'', conta o eletricista, que depois de viver momentos de depressão, decidiu dar a volta por cima. ''Demora para você entender, você fica imaginando o que vai acontecer. Falei com pessoas na fisioterapia que me ensinaram que é como nascer de novo: você aprende com as pessoas e vai vencendo na vida até ser capaz de ajudar outros.''
''Eu tinha medo da morte, queria viver um pouco mais'', completa Conceição, com um sorriso estampado no rosto, reflexo da independência adquirida com a fé: ''Faço tudo o que está ao meu alcance: cozinho, lavo, passo, dirijo''.
Na época do acidente, ele trabalhava como manobrista de aviões no solo. Hoje, é dono de uma oficina ao lado da casa onde mora com os pais. ''Comecei em casa, arrumando eletrodomésticos da família, depois dos vizinhos e acabei indo buscar secadores em salões de beleza e o negócio foi crescendo'', lembra o eletricista, que há dois anos decidiu sair de casa e abrir a loja, onde trabalha sozinho.
Com o acidente, ele viu a noiva de 16 anos abandonar o barco, mas não desanimou. Teve algumas namoradas que conheceu na internet - ''uma delas até veio do Mato Grosso para me conhecer, mas não conseguiu lidar bem com a minha condição'', conta - , ficou noivo, mas agora está no início de um novo relacionamento.
Segundo ele, o segredo está em saber controlar os limites do corpo e aprender algo novo a cada dia. ''Aprender a ser diferente para fazer diferente'', define Conceição, que lida bem com o preconceito e o sentimento de dó de alguns amigos da antiga. ''Eles é que estão perdendo, não eu.''
Para quem apenas descobriu uma nova condição de vida, ele ensina: não desista nunca. ''Levante a cabeça, olhe para a frente e tenha fé, porque as barreiras vão sempre existir, basta acreditar em si mesmo. Tudo que é feito com amor vale a pena.'' (M.G.)





