Seminarista usa esporte para evangelizar
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
Futebol de salão é a maneira que o seminarista José Carlos Amaral encontrou para converter os jovens à religião. É o Projeto Zerão Jesus desenvolvido em Londrina desde março do ano passado com rapazes maiores de 15 anos.
Todos os finais de semana Amaral organiza partidas de futebol numa das quadras do Zerão, sempre após as 16 horas. É entre os jogos que o seminarista aproveita para divulgar a palavra de Deus aos jogadores, independente da crença religiosa.
Aqui não há discriminação. O espaço é aberto a qualquer um que queira se divertir com ordem e respeito. Não existe imposição nem vínculos políticos. Ouve quem quer. Só não é permitida a violência e os palavrões, diz o estudante do segundo ano da Faculdade de Teologia Sulamericana, do Seminário Evangélico Interdominacional.
A idéia nasceu no final de 98, quando ele terminava um curso de evangelização em Guarapuava. Para financiar o projeto o seminarista conta com o apoio de 10 empresas da cidade que doaram coletes, bola e rede. No começo foi difícil convencer as pessoas da seriedade do meu trabalho. É uma tarefa complicada porque está sujeita à insubordinação comum a esta faixa etária.
A cada final de semana 50 a 60 jovens comparecem à quadra. Nem todos conhecem o projeto, mas logo que chegam são convidados a participar dele. Os office-boys Marcos Rodrigo Leopoldo e Edsalber Aparecido Ferreira conversaram ontem com Amaral pela primeira vez. Eles vivem no Jardim União da Vitória 4 e dizem que lá não há opções de diversão no final de semana, por isso costumam ir ao Zerão jogar bola. Existe quadra de futebol perto de casa, mas é alugada. Aqui a gente não precisa pagar e tem a vantagem de ver pessoas diferentes, diz Leopoldo.
A segurança é o principal argumento que Amaral usa para justificar as regras de conduta dos participantes. Segundo ele, muitos evitavam jogar nas quadras do parque com receio dos frequentadores. O seminarista alega que os coletes usados pelos jogadores denotam uma organização que é valorizada por olheiros esportivos que geralmente passam pelo Zerão.
Fui um viciado em drogas dos 16 aos 24 anos. Sei o quanto é sofrida a vida de quem entra nesse mundo. A religião foi que me salvou e por isso eu acredito que o mesmo pode acontecer com outros, basta ter força de vontade e um apoio verdadeiro, afirma o coordenador do projeto.
O objetivo do seminarista é manter o Zerão Jesus ativo e levar a essência da idéia a outros lugares depois que concluir o bacharelado em teologia em dois anos e tornar-se um pastor.José Carlos Amaral prega a palavra de Deus nas tardes de domingo, numa quadra de futebol de salão do Zerão, em Londrina
Mário CesarMário CesarCONVERSA RELIGIOSANa frente de uma das traves da cancha de futsal, José Carlos Amaral repasse ensinamentos sobre o evangelho (acima). Ao lado, lance de uma partida na tarde de ontem: platéia atenta





