A Comissão de Cidadania de Londrina promoveu ontem, durante todo o dia, na Vila da Saúde, a primeira parte do seminário ‘‘Prevenção, Atendimento e Tratamento à Mulher Vítima de Violência em Londrina: saúde e parceiros’’, dando continuidade à campanha nacional ‘Uma Vida Sem Violência’. O seminário, dirigido a profissionais de saúde, terá ainda dois módulos, que serão realizados nos dias 26 de maio e 16 de junho.
A Secretária Especial da Mulher e coordenadora da Comissão da Cidadania, Dora Barnabé, explica que o seminário é a quarta ação prática desenvolvida em Londrina para o combate à violência, principalmente da violência contra a mulher. Segundo ela, a escolha dos profissionais de saúde como alvo desta ação se deve a uma projeção do Ministério da Saúde, de que, em 80% dos casos de violência física e sexual, o primeiro atendimento buscado pelas vítimas é junto a postos de saúde e prontos-socorros.
‘‘Com esta ação, queremos sensibilizar estes profissionais para o problema e, fornecendo as informações necessárias, eles podem atuar como agentes transformadores, encaminhando estes casos para os programas de atendimento à mulher que existem na cidade’’, explica.
De acordo com Dora Barnabé, outro fator determinante para a sensibilização destes profissionais é que o Ministério da Saúde fez, recentemente, o anúncio de uma nova norma técnica para todo o sistema de saúde brasileiro. Com a norma, os sistemas de saúde terão que definir uma ficha de atendimento para os casos de violência física e sexual contra a mulher. ‘‘Isto vai servir para que o Ministério tenha dados concretos sobre nossa realidade e embasar ações posteriores no tratamento e prevenção da violência’’.
O primeiro módulo do seminário, apresentado ontem, foi o de sensibilização dos agentes da saúde. Foram convidados para uma mesa-redonda a professora doutora paulistana Sílvia Pimentel, o psicológo londrinense Humberto Ricardo de Andrade Castro, o secretário Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, e Dora Barnabé. Eles mostraram o quadro sobre violência contra a mulher como um fenômeno mundial, histórico e cultural, e propuseram uma reflexão coletiva sobre violência intrafamiliar.
Segundo a Secretária Especial da Mulher, somente em Londrina, o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) - órgão ligado à Secretaria Especial da Mulher - atende uma média de 50 novos casos de violência por mês. Desde sua criação, em abril de 1993, o órgão já prestou atendimento jurídico, social e psicológico a mais de 4 mil mulheres.
De acordo com Dora Barnabé, a maior parte dos casos notificados que chegam ao CAM acontecem dentro da casa e os agressores, na sua maioria, são maridos, namorados, padrastos, irmãos, tios e primos. ‘‘Cerca de 54% dos casos denunciados são queixas em relação à violência emocional ou psicológica’’.
A Delegacia da Mulher de Londrina registrou, desde a sua criação - em 1986 - até julho de 98, 19.788 boletins de ocorrência. Destes, apenas 2.009 casos resultaram em inquérito, pouco mais de 10% das notificações.

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