Maigue Gueths
De Curitiba
Professores, arquitetos e urbanistas reunidos ontem no seminário ‘‘O uso dos solos e dos rios na Curitiba do novo milênio’’, afirmaram que, com a nova lei de zoneamento e uso de solos de Curitiba, aprovada pela Câmara Municipal na terça-feira, Curitiba corre o risco de ter um crescimento desordenado nos próximos anos, chegando à casa dos 11 milhões de habitantes (10 vezes mais do que o número atual). Como consequência, haveria queda na qualidade de vida e nas condições ambientais da capital.
A degradação dos rios, com prejuízos à qualidade da água, aliada à construção desenfreada, aumentando a impermeabilidade do solo, seriam dois fatores a contribuir para aumentar o risco de enchentes na cidade. Os debates do seminário concentraram-se, ontem, justamente sobre a nova lei, sob o tema ‘‘Como queremos Curitiba no futuro’’.
Para estes profissionais, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) foi ‘‘egoísta’’ ao propor uma lei que vem legislar apenas em benefício da capital, sem integrar o crescimento de Curitiba aos municípios da região metropolitana e, ainda, antidemocrático, já que não aceitou discutir e debater a nova lei com a sociedade antes de aprová-la.
‘‘Curitiba poderia ter inovado e feito uma lei de zoneamento articulada com as outras cidades da região, com estratégias de ocupação e de crescimento para toda a região’’, disse o promotor das Garantias Constitucionais do Ministério Público, Marcos Bittencourt Fowler. Ele defende a necessidade de se fazer um Plano Diretor Metropolitano antes de se estabelecer as regras para a ocupação de Curitiba.
O supervisor de planejamento do Ippuc, Ricardo Bindo, disse não acreditar que um plano integrado implicasse em grandes mudanças na política de crescimento proposta para Curitiba. Questionado sobre a inflexibilidade do Ippuc para aceitar mudanças na lei de zoneamento proposta, Bindo admitiu que o órgão aceitaria discutir um Plano Diretor Metropolitano, inclusive mudando pontos da lei de zoneamento, se necessário.Encontro que discutiu a ‘‘Curitiba do Futuro’’ criticou as propostas da prefeitura para a Lei de Zoneamento
José SuassunaRISCOEsquina da Visconde de Nacar com Carlos de Carvalho, no centro. Local é sujeito a enchentes por causa da grande impermeabilização do solo

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