‘‘Para onde vai a universidade pública paranaense?’’
Um seminário realizado ontem na Universidade Estadual de Londrina (UEL) tentou responder essa pergunta. E discutiu o futuro das Instituições de Ensino Superior (IES) do Estado. O evento foi Promovido pelo Comitê em Defesa do Ensino Superior Público, que reúne 12 entidades representativas dos professores, funcionários e estudantes das universidades de Londrina, Toledo e Maringá. Os debates aconteceram no anfiteatro maior do Centro de Ciências Humanas da UEL.
Durante a parte da manhã, as discussões foram em torno do plano de carreira, cargos e salários dos funcionários e professores das IES. À tarde, os debates se centraram na prestação de serviços. À noite, o seria discutida a autonomia universitária.
O presidente do Sindiprol, José Mário Angeli, lembrou que o plano de carreira, cargos e salários, aprovado pela comunidade acadêmica no ano passado, foi encaminhado ao Governo do Estado e aguarda a implantação. O sindicato também está preocupado com projetos que estão sendo estudados pela Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia, propondo mudanças nas instituições de ensino superior.
Nenhum representante oficial do Governo do Estado compareceu ontem ao seminário. Apenas o chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Planejamento, Jaime Lima, esteve presente ao debate. Ele afirmou que simplesmente atendeu convite pessoal feito pelo Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol). ‘‘O Governo não se furtaria ao debate’’, disse Lima. ‘‘Mas o convite oficial foi feito em cima da hora’’, justificou.
Questionado sobre o plano de cargos e salários dos funcionários das IES, Lima admitiu que a tramitação é demorada. Segundo o chefe de gabinete, o projeto de lei sobre o assunto só deve ser apreciado pela Assembléia Legislativa no primeiro trimestre de 1997.
Lima defende a discussão ampla da proposta de transformação das IES em organizações sociais com o objetivo de modernizar as administrações públicas. A Secretaria de Ciências e Tecnologia vem fazendo vários estudos nesse sentido. ‘‘Devemos discutir a fundo uma organização social e seus impactos dentro do ensino superior. Só o debate pode trazer luz e indicar o que deve ser feito pelo Governo.’’
Para Jaime Lima as universidades têm o dever, por ser um centro intelectual, de participar ativamente do desenvolvimento de uma região. ‘‘São necessárias parcerias com a comunidade, com entidades, associações e empresas, para que, de certa forma, o ônus do ensino superior não fique só para o Estado.’’

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