Seminário questiona os rumos do ensino superior no Paraná
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Luka Morais 
Para onde vai a universidade pública paranaense?
Um seminário realizado ontem na Universidade Estadual de Londrina (UEL) tentou responder essa pergunta. E discutiu o futuro das Instituições de Ensino Superior (IES) do Estado. O evento foi Promovido pelo Comitê em Defesa do Ensino Superior Público, que reúne 12 entidades representativas dos professores, funcionários e estudantes das universidades de Londrina, Toledo e Maringá. Os debates aconteceram no anfiteatro maior do Centro de Ciências Humanas da UEL.
Durante a parte da manhã, as discussões foram em torno do plano de carreira, cargos e salários dos funcionários e professores das IES. À tarde, os debates se centraram na prestação de serviços. À noite, o seria discutida a autonomia universitária.
O presidente do Sindiprol, José Mário Angeli, lembrou que o plano de carreira, cargos e salários, aprovado pela comunidade acadêmica no ano passado, foi encaminhado ao Governo do Estado e aguarda a implantação. O sindicato também está preocupado com projetos que estão sendo estudados pela Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia, propondo mudanças nas instituições de ensino superior.
Nenhum representante oficial do Governo do Estado compareceu ontem ao seminário. Apenas o chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Planejamento, Jaime Lima, esteve presente ao debate. Ele afirmou que simplesmente atendeu convite pessoal feito pelo Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol). O Governo não se furtaria ao debate, disse Lima. Mas o convite oficial foi feito em cima da hora, justificou.
Questionado sobre o plano de cargos e salários dos funcionários das IES, Lima admitiu que a tramitação é demorada. Segundo o chefe de gabinete, o projeto de lei sobre o assunto só deve ser apreciado pela Assembléia Legislativa no primeiro trimestre de 1997.
Lima defende a discussão ampla da proposta de transformação das IES em organizações sociais com o objetivo de modernizar as administrações públicas. A Secretaria de Ciências e Tecnologia vem fazendo vários estudos nesse sentido. Devemos discutir a fundo uma organização social e seus impactos dentro do ensino superior. Só o debate pode trazer luz e indicar o que deve ser feito pelo Governo.
Para Jaime Lima as universidades têm o dever, por ser um centro intelectual, de participar ativamente do desenvolvimento de uma região. São necessárias parcerias com a comunidade, com entidades, associações e empresas, para que, de certa forma, o ônus do ensino superior não fique só para o Estado.


