A principal palestrante perdeu o vôo e não pôde participar do ‘‘Seminário Municipal de Combate ao Racismo’’, realizado ontem de manhã na sede da Associação dos Professores do Paraná (APP) em Londrina. Mas a ausência de Dora Lúcia Bertúlio, procuradora jurídica da Universidade Federal do Paraná, não impediu que o encontro rendesse um prolongado debate entre os integrantes da mesa e a platéia.
‘‘O racismo é a ideologia que apregoa que uma raça é superior a outra. No Brasil, muitos de nós ficamos vulneráveis ao internalizarmos essa mentira e passamos a vida inteira experimentando o sofrimento de achar que não está no lugar certo’’ – disse Regina Nogueira, uma das participantes e coordenadora geral da Mulher do Estado do Rio Grande do Sul.
Em sua exposição, ela discorreu sobre as lutas do movimento negro brasileiro ao longo do século 20, além de contar experiências pessoais nas quais foi vítima de preconceito racial. ‘‘Quem é negro, tem o destino traçado pelo preconceito, pelos estereótipos que o enquadram como alguém que nunca vai dar certo na vida ’’ – salientou.
Ilustre-e aí que o Brasil historicamente reservou lugares para os negros. Se a presença e a ascensão negra na sociedade brasileira são vistas sem sobressaltos quando em espaços específicos como o meio musical (envolvendo o samba e suas ramificações) ou nos esportes (caso do futebol e do atletismo), fora daí é sempre motivo de estranheza e confronto.
Regina Nogueira tocou no tema em sua palestra. ‘‘Eu, por ser médica e ter a cor da pele negra, vivi muitas situações constrangedoras’’ – relatou ela. ‘‘Uma vez, os familiares de um paciente procuravam pelo médico num posto de saúde e depois de passar pela minha sala começaram a gritar de que não não havia atendimento no local. Eles viram a placa na porta da minha sala, me viram ali, mas por eu ser negra achavam que eu não poderia ser a médica. Prevalece a visão de que o negro não pode ter curso superior, não pode ter qualquer qualificação’’.
A Secretária da Mulher, Lygia Pupato, lembrou que as discussões e propostas levantadas durante o evento serão encaminhadas para o grupo que representará o Brasil na Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação, Xenofobia e Intolerância, programada para o mês de setembro na cidade de Durban, na África do Sul.
Além das paletras e debates, a programação do evento incluiu grupos de trabalho no período da tarde e uma exposição de fotos e cartazes de mulheres afro-asiáticas. O Seminário foi organizado pela Secretaria Especial da Mulher, Secretaria Municipal de Cultura e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.

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