Curitiba - Um seminário realizado ontem em Curitiba lançou olhos para uma das regiões mais movimentadas, porém cada vez menos habitada, da cidade: o Centro. Apesar de ser o local por onde Curitiba começou a se desenvolver, o Centro é visto muito mais como uma área que abrange tudo - de comércio a serviços, que como um bairro residencial. A inciativa, organizada pelo projeto Centro Vivo, da Associação Comercial do Paraná (ACP), lançou durante o evento a revista ''Seminário Habitacional'', publicação que faz um mapeamento do Centro da Capital.
A revista, segunda publicação do projeto (a primeira é de 2005), traz dados interessantes sobre a atual situação da área, detalhando questões como acessibilidade de calçadas e estacionamentos, comércio, conservação e limpeza, habitação e segurança. O objetivo é encontrar formas de revitalizar a região central da cidade, oferecendo melhorias para o comércio, turismo, emprego, entre outros setores. Além disso, visa beneficiar a população que circula na região.
A pesquisa nasceu do intuito de fornecer dados das necessidades da área para aquecer o comércio da região. Com base nesses dados, o coordenador operacional do projeto Centro Vivo, Cesar Luis Gonçalves, diz que o início dos projetos de revitalização é imediato. ''Agora, entraremos em contato com investidores, inciativa privada e poder público para elaborar formas de iniciar os projetos'', diz Gonçalves. Entre as prioridades estão a revitalização das fachadas do comércio, melhoria da segurança e aumentar os investimentos na área de moradia.
Segundo levantamento publicado recentemente pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o Centro tem 33.290 habitantes, ocupando a 15 posição no ranking dos mais populosos entre os 75 bairros de Curitiba. O crescimento absoluto do bairro entre os anos de 2000 e 2007, porém, ficou em 0,29% - em sete anos, o Centro ganhou apenas 667 novos moradores. ''Esse número pode ser multiplicado em três vezes'', afirma Gonçalves.
Hoje, enquanto a população de Curitiba e Região Metropolitana cresce uma média 1,83% ao ano, segundo constatação da pesquisa do Centro Vivo, o número de habitantes no Centro decresce 2,55% no mesmo período. O coordenador operacional do projeto explica que a queda do número de moradores está ligada à falta de estrutura: edifícios sem conservação, falta de elevadores e garagens. Questões como segurança também influenciam.
Ainda no quesito habitação, os números dão pistas dos motivos do ''êxodo'' residencial do Centro. A pesquisa concluiu que de todos os edifícios da região, apenas 7% são residenciais. O restante é misto (33%) ou comercial (60%). Dos edifícios habitacionais, 59% estão subutilizados, 29% estão desocupados e 13% abandonados. Ainda sobre os prédios do Centro, a pesquisa revela que somento 25% deles têm elevador e 12%, garagem.
Mesmo assim, Gonçalves revela que há uma demanda de moradia no Centro. ''As pessoas querem morar lá, por isso a necessidade da revitalização'', explica. Segundo ele, dos novos empreendimentos de moradia na região, 97% estão comercializados. Na opinião do coordenador, mais pessoas residindo no local seria uma das formas de manter a região viva após as 18 horas, quando o comércio fecha suas portas.

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