Seminário discute soluções para RMC
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segunda-feira, 28 de julho de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A sustentabilidade do uso e ocupação do solo em áreas de proteção de mananciais foi um dos assuntos destacados durante o Seminário Internacional sobre Gestão Metropolitana, que está sendo realizado em Curitiba. A RMC apresenta áreas de ocupação irregular próximas a rios que abastecem a capital e outras cidades vizinhas.
Segundo o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Rafael Greca, bairros novos estão sendo construídos em substituição à moradias indignas, localizadas em regiões de mananciais. O governo prevê a recuperação e preservação de manaciais que fornecem água para 70% da população Curitiba. ''Os projetos vão privilegiar o melhoramento de vazios urbanos com um planejamento correto para a ocupação'', diz Greca
No próximo ano a reurbanização deve chegar a Araucária, Fazenda Rio Grande e Pinhais. A Cohapar espera receber R$ 190 milhões de recursos do Programa de Aceleramento da Economia (PAC) do governo federal e constribuições da Sanepar. O Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) deu sinais de participação futura. ''Viemos para ajudar a pensar nos problemas e possíveis diretrizes. Vamos ficar no aguardo da apresentação dos projetos do governo do Estado e discutir investimentos'', afirmou a especialista do BID, Fernanda Magalhães.
O governador Roberto Requião (PMDB) apontou que o plano diretor de urbanização de Curitiba já está ultrapassado,''carente de análise e criatividade''. Dados da Universidade Federal do Rio de Janeiro apontam que 15% da população da RMC estão abaixo da linha de pobreza. ''A desigualdade é baixa para padrões brasileiros, mas alta em comparação a outros países'', afirma André Urani, da UFRJ.
O professor da Universidade Federal de Brasília, Benny Schasberg, defende que ''o planejamento de política urbana deve prever terras que valorizem o mercado imobiliário como uma solução para o desenvolvimento de regiões metropolitanas e prover a inclusão social''. Para Alcidino Bittencourt Pereira, coordenador geral da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), a ascensão imobiliária está ligada a um sistema viário mais eficiente e à ocupação de espaços vazios, que servirão para abrigar a população prevista para 2020 de 4 milhões de pessoas na capital e cidades periféricas. ''A lideranças não podem se esquecer que as cidades estão ligadas por bens públicos, como os manaciais, e que as soluções são reesponsabilidades de todos'', comenta.
A RMC é composta por 26 municípios, totalizando 3,1 milhões de pessoas (30% da população do Estado). O evento termina hoje.


