Seminário discute prevenção áá
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quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Curitiba 
Profissionais das áreas de saúde, educação e segurança, entre outras, passaram o dia de ontem reunidos em Curitiba para discutir estratégias de ação para a prevenção ao uso de drogas. Nos debates, uma preocupação apareceu com frequência: o problema das drogas não pode ser tratado isoladamente, mas de uma forma que considere integralmente o ser humano e suas relações. O seminário deverá servir como o primeiro passo para a criação de um sistema estadual de prevenção.
A prevenção está relacionada ao cuidado com a vida e não deve se limitar ao enfoque da droga, disse a presidenta do Fórum Permanente de Prevenção do Paraná, Maria Cecília Cardoso Teles. O médico Carlos Abel Fiorucci, presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes, concorda que é preciso mudar a linguagem nas ações de prevenção. Temos muitos trabalhos bem sucedidos, mas ainda há muita gente fazendo palestras com linguagem agressiva, que acaba tendo efeito contrário, disse.
Fiorucci diz que o fato de as pesquisas apontarem crescimento no consumo de drogas não representa o fracasso da prevenção: Mesmo nos Estados Unidos, onde se faz um pesado investimento em prevenção, o consumo continua crescendo.
Ele mostra dados da última pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) para afirmar que o problema não deve ser tratado com alarmismo. Segundo a pesquisa - que em Curitiba abrangeu 1.430 estudantes de 1º e 2º graus -, 72,6% dos estudantes da cidade nunca experimentaram drogas, exceto álcool e tabaco. Apenas 3,3% fazem uso frequente de drogas e 2% fazem uso pesado (mais de 20 vezes por mês). Mas a pesquisa também mostra um aumento na tendência do uso de drogas nas faixas etárias de 13 a 15 anos e de 16 a 18 anos.
O delegado de Antitóxicos, Adauto de Oliveira, diz que foram encontrados problemas com drogas em todos os 70 colégios de Curitiba visitados na Operação Escola da delegacia. Segundo ele, dos usuários de drogas que passam pela delegacia, 95% têm entre 10 e 30 anos. A prevenção tem falhado totalmente, disse.


