A professora do Curso de Mestrado em Educação da Universidade Estadual de Maringá, Lízia Helena Nagel, criticou duramente, ontem, em palestra do seminário sobre ‘‘Gestão Democrática em Escola Pública’’, a orientação do governo federal de transformar escolas em empresas, para atingir a ‘‘qualidade total de ensino’’.
Ela falou a 108 professores de escolas públicas de Maringá, reunidos no auditório da Câmara Municipal. O evento, promovido pela APP/Sindicato dos Professores de Maringá, discutiu o papel do diretor de escola e a função da equipe pedagógica. ‘‘A democracia é um valor ainda em construção e para lapidá-la temos de agir como sujeitos autônomos na sociedade, não como pessoas que aceitem passivamente o que é imposto a elas’’, disse
Lízia disse ser contrária à orientação do Ministério da Educação de transformar as escolas em empresas com qualidade total. ‘‘Se o ambiente da escola for autoritário, como querem o governo e a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, vai produzir alunos autoritários. Temos que nos situar e ver que somos um País consumista, que consome produtos feitos no Japão, por exemplo, que é um país essencialmente produtor de novidades que se deterioram em pouco tempo. É este neoliberalismo que querem implantar nas escolas brasileiras, achando que produzindo gente assim nós poderemos competir no mercado internacional’’.
A professora argumentou que este tipo de orientação pedagógica serve às empresas e não às escolas. Ela disse sentir saudades da LDB antiga. ‘‘Lendo a nova LDB, vi que era uma colcha de retalhos tão ridícula, que num artigo agrada à UDR e no outro ao PC do B’’. Para ela, o governo está acabando com a criatividade do aluno da escola pública.

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