A economia globalizada exige cada dia mais organização de todo o sistema de produção da carne bovina, do pasto até o prato do consumidor, sempre de olho na qualidade do produto e na melhor comercialização. Buscando atualizar os produtores e mostrar experiências que deram certo, será realizado dia 5 de abril, em Londrina o ‘‘Seminário Carne Paraná - Novos Mercados’’.
O seminário faz parte da programação de eventos científicos da 41ª Exposição Agropecuária e Industrial. Os organizadores do evento esperam um público de cerca de 300 pecuaristas paranaenses, além de produtores de carne de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que vêm em busca de informações e novas tecnologias.
Avanços ‘‘Nas propriedades rurais, a pecuária vem registrando muitos avanços. Inseminação de embriões, rastreabilidade e a produção de animais precoces e superprecoces já são uma realidade. Além destas novas tecnologias, os pecuaristas precisam se organizar, participar mais de associações, sindicatos ou entidades representativas. É preciso união para conquistar novos mercados’’, alerta o coordenador do seminário, o engenheiro agrônomo Ademir Antonio Rodrigues, da Emater de Londrina.
Os primeiros passos para essa mobilização encontram respaldo em entidades recém-criadas como o Conselho Estadual de Sanidade Animal (CONESA), órgão que possui ramificações em todos os municípios paranaenses.
‘‘Além das questões sanitárias, tão em evidência devido à crise no mercado internacional de carne bovina, com o reaparecimento da aftosa na Europa e Argentina e o mal da vaca louca; existem ainda outros desafios a serem trabalhados. A união da classe produtora pode garantir custos menores, produção regular com oferta de carne boa o ano todo, preços melhores e, consequentemente, novos mercados’’, explica Rodrigues.
ExemploUm exemplo positivo da experiência de organização do setor será tema de uma das palestras do seminário. Produtores da Região Centro-Sul do Paraná criaram a Aliança Mercadológica da Região de Guarapuava reunindo sete pecuaristas, com média de 400 cabeças no rebanho, que decidiram se livrar da dependência de intermediários e inserir no mercado regional somente novilhos precoces.
Segundo o pecuarista, Édio Sandler, presidente da Aliança, a carne é comercializada diretamente com grandes supermercados. O frigorífico cuida do abate, resfriamento e entrega das carcaças nos pontos de venda. O acerto é feito entre pecuaristas e donos de supermercados que se comprometem em vender a carne a preço normal.
‘‘Somente com impostos e eliminação dos intermediários, estamos economizando em média 5% e, o que é melhor, queremos que o consumidor fique com o paladar mais apurado, aprendendo a distinguir uma carne de novilho precoce da de um boi velho. Assim, podemos até ousar conquistar os grandes mercados’’, comemora Sandler.
QualidadeOutra experiência de comercialização de animais superprecoces, garantindo maior rentabilidade e carnes mais macias ao consumidor também será mostrada pelo pecuarista Martim Luiz Teixeira Luz, de Bagé (RS), um dos 50 associados da Ana Paula Agropastoril. A empresa trabalha com cerca de 80 mil matrizes das raças angus e hereford, com produção de 1500 novilhos superprecoces por mês. O peso vivo para abate é em média de 320 quilos, com carcaças entre 170 a 175 quilos. Os animais são dente de leite, com no máximo 14 meses.
‘‘Nossa atividade é pecuária de ciclo curto e o padrão da carne é nobre. Definimos a raça, o tipo de carcaça, o manejo alimentar e sanitário. Apesar do volume de produção, nós decidimos terceirizar o abate. Eliminamos os intermediários e nos remuneramos pela qualidade da carne que produzimos. Parte da nossa produção é hoje exportada para o Chile’’, comenta Teixeira.
Os técnicos da Embrapa/Gado de Corte, de Campo Grande, MS, também participam das discussões trazendo os últimos avanços na área de rastreabilidade bovina. Trata-se da identificação eletrônica através de um chip colocado na orelha do animal, que possibilita o controle do rebanho, do nascimento ao abate, contendo todos os dados de vacinação e cuidados sanitários, variações de peso, idade e manejo alimentar.

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