O tango argentino é o ritmo ideal para marcar a rivalidade entre brasileiros e argentinos no futebol. Porém, se no gramado o nacionalismo fala mais alto, em outras áreas (como o ensino superior e a pesquisa) esse é um atacante que não faz falta dentro de campo, substituído pela cooperação tema debatido durante o 1º Seminário de Integração Universitária da América do Sul. A abertura do evento ontem pela manhã, no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), contou com a participação do ex-presidente da Argentina Raúl Ricardo Alfonsín, que falou sobre a Integração pelo Mercosul.
Alfonsín desenhou um panorama da integração, passando pelo histórico de ditaduras na América Latina, lembrando que todos os países devem estar comprometidos não só com a cooperação mútua, mas também com a democracia. ''É preciso crescermos juntos, encararmos juntos a globalização, buscarmos os meios, a eficiência e a competitividade'', apontou Alfonsín, demostrando os recursos que os latinos têm para enfrentar problemas como o narcotráfico.
Promovido pela UEL e Associación Orion Rede de Universidades e Organizações Não-governamentais Latino-americanas e Européias, o seminário reuniu representantes da Bélgica, Espanha, França, Itália, Finlândia, Argentina, Bolívia, Chile, além dos brasileiros.
Embora evidente, a diferença de idioma entre o Brasil e os demais países latinos é um dos fatores que dificultam a integração, além do nacionalismo. ''Na minha maneira de ver, o Mercosul fez criar um contexto de trocas. A Rede Orion pretende colocar todas as questões dentro de uma perspectiva de bloco. São iniciativas boas, um presságio excelente do que podemos ter. Acho que o Mercosul cria uma situação em que estamos juntos. A falta de linhas de crédito para pesquisas não é um entrave se tivermos grupos trabalhando. Uma criação de um contexto de trocas, que deve ser cada vez mais implantada. Não ensinamos, por exemplo, espanhol nas escolas. Isso é uma aberração. Somos o único país latino que não fala espanhol'', afirmou Jorge Daniel de Melo, do Conselho de Relações Internacionais da UEL.
A universidade londrinense foi a primeira do Brasil a fazer parte da Rede Orion. ''Queremos fortalecer a rede com a adesão de outras instituições, fazendo um balanço também da criação do Mercosul'', avaliou o pró-reitor de Extensão da UEL, Gilberto Hildebrando.
Para o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, que fez palestra sobre Educação Superior no Paraná e as Potencialidades de Integração Universitária no Âmbito do Mercosul, é preciso que os países latinos se unam de forma articulada se quiserem enfrentar a globalização. ''Temos que reverter isso tecnologicamente, no que pese ter um movimento de pessoas nesses países para que haja agregação a longo prazo. Precisamos pensar de forma articulada'', assegurou Rizzi.
No encerramento do seminário, amanhã, será apresentado um painel com 11 reitores, com a assinatura de um protocolo de intenções e a Carta de Londrina, com questões sobre a Cooperação Internacional e Mobilidade Estudantil na América do Sul e Europa.

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