Criar oportunidades para ampliação da empregabilidade, acesso à informação e capacitação profissional. Essas são as metas práticas da inclusão digital, tema da moda quando o assunto é comunicação e que foi discutido ontem, durante todo o dia em Londrina, no 1º Seminário de Telecomunicações e Cidadania. No Hotel Sumatra (Área Central), representantes da iniciativa privada, do Estado e da União apresentaram e discutiram políticas definitivas para o alcance dessas metas.
Informações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dão conta de que dois terços da população do País ainda não têm acesso à informação digital. O recurso é tido como a principal arma para a ampliação da eficiência de projetos educacionais e de formação profissional pelo superintendente de universalização da Anatel, Edmundo Matarazzo. ''Todos sabemos que a inclusão digital é importante para a formação da cidadania, mas precisamos tomar iniciativas que realmente começem a colocar essas idéias em prática'', acredita.
Para isso, o consultor jurídico do Ministério da Comunicações, Otávio Luiz Rodrigues Junior, destacou o papel da União no processo. ''Devemos começar a definir ações e políticas agregadoras de iniciativas como este seminário, que reúne idéias e projetos de como isso pode ser feito'', destaca. Segundo o consultor do ministério, parte destas políticas devem ser financiadas com recursos do Fundo de Universalisação de Telecomunicações (Fust), proveniente de contribuições e taxas cobradas das operadoras de telefonia no Brasil.
Projetos tocados pela Sercomtel em Londrina foram usados como exemplos práticos de universalização e inclusão digital. ''Temos o projeto Londrina Cidade Digital, que consumiu investimentos de cerca de R$ 600 mil, e podemos citar também a ampliação da rede de telefonia fixa na zona rural, com investimentos da ordem de R$ 1 milhão. Mas os oito Núcleos de Informática, implantados em centros comunitários da cidade, são exemplos de projetos de baixo custo, pois foram levantados com equipamentos usados, mas em condições de uso'', cita o presidente da Sercomtel, João Rezende.
A própria Anatel também conta com um projeto de inclusão digital, denominado Serviço de Comunicações Digitais (SCD). O serviço, segundo Matarazzo, vai disponibilizar em caráter público terminais para acesso, manipulação e transferência de informações em rede a preços acessíveis. ''Mesmo porque inclusão digital não pode ser encarada somente como o acesso à informação. Temos que ter geradores de conteúdo'', explica. O SDC, em fase de regulamentação, deve ser licitado em dezembro e Matarazzo estima que, dentro de 4 anos, 2 milhões de terminais sejam disponibilizados à população.
''Ainda não temos a consciência exata, mas sabemos que as ferramentas de inclusão digital são o caminho mais fácil para a democratização da informação. Assim, deixamos de falar em acesso digital para falarmos de acesso econômico e social'', diz Matarazzo.

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