Curitiba - É difícil mensurar o aumento da violência dentro das escolas. Enquanto brigas e atos violentos podem ser registrados e contabilizados, outras formas de assédio como ''bullying'' (prática de violência entre pares como humilhação, gozação, etc), discriminação, ameaças e xingamentos não são facilmente percebidas e medidas.
Nesta semana, o assunto foi tema recorrente nos noticiários. Revolta e vandalismo de estudantes e protestos de educadores retratam um panorama geral de que algo não vai bem. Para a professora Maribel Gil Guterres, palestrante no Seminário ''Educação e Violência: enfrentando os desafios'', realizado na quinta-feira, ''existe uma dinâmica de um jovem que é obrigado a estar na escola, mas não quer estar ali, e uma escola que não está preparada para lidar com este 'novo' jovem''.
Uma expressão é comum em se tratando do tema: existe uma ''Cultura do Medo'' nas escolas. O termo diz respeito ao professor que não consegue impor respeito ao aluno habituado a uma realidade de criminalidade, drogas, violência etc. Segundo Maribel, não existe uma recomendação geral de como agir em casos de violência. Mas ela concorda que algumas boas idéias podem servir de modelo. A educadora conta que na Escola Chico Mendes, localizada em uma região ''barra pesada'' de Porto Alegre, algumas ações reduziram as ocorrências no ambiente escolar.
''Primeiro foi preciso parar e avaliar as causas da violência. Chamamos o Conselho Tutelar, líderes comunitários, universidades e até a polícia para participar deste debate. Depois implantamos o protagonismo juvenil - como grêmios e outros programas em que os alunos se mobilizam e trabalham em prol de uma causa'', explica.
Em Curitiba, o Projeto Não Violência (PNV) trabalha em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 14 escolas da região. De acordo com a coordenadora técnica do projeto, Adriana Araujo Bini, para cada instituição é feito um trabalho em conjunto com professores, funcionários, alunos e pais. ''Um dos nossos programas envolve uma série de palestras com temas como regras e limites, bullyng, resolução pacífica de conflitos e outros com os professores e funcionários da escola. Oferecemos também cursos para que os educadores conheçam métodos para lidar com o problema em sala de aula'', conta.

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