Seminário discute como
despoluir Ribeirão Quati
Encontro avalia ações concretas para recuperar o rio poluído que atravessa Londrina
Lucilia Okamura
Mario CesarComemoraçãoO prefeito Adalberto Pereira mostra selos do meio ambiente Definir ações concretas para recuperar o Ribeirão Quati, que apresenta como principais problemas a poluição hídrica e a ausência de mata ciliar. Esse foi o objetivo do 1º Seminário de Recuperação e Manejo de Bacias Hidrográficas do Ribeirão Quati, realizado ontem, durante o dia todo, no auditório do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), zona sul de Londrina.
O Ribeirão Quati tem 9.810 metros de extensão e atravessa a Cidade, paralelo à avenida Brasília. A nascente fica no Jardim Leonor (zona oeste) e a foz, no Conjunto Mister Thomas (zona leste). Durante um ano, a geógrafa da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Márcia Regina Lopez Arantes, fez um levantamento dos principais problemas do ribeirão.
Mario CesarGeógrafaMárcia Arantes: conscientizaçãoSegundo Márcia Arantes, são cinco os problemas mais graves: 1) ausência de mata ciliar; 2) poluição hídrica causada por efluentes industriais e esgoto doméstico; 3) erosão e assoreamento do leito do ribeirão; 4) acúmulo de lixo e entulho; 5) ocupação irregular da faixa de preservação (30 metros do leito do ribeirão).
A geógrafa da AMA acredita que a recuperação total do Ribeirão Quati demore dois anos. Ela observa que alguns projetos estão sendo colocados em prática. Um exemplo, segundo Márcia Regina, é o plantio de mudas de árvores em fundos de vale próximos ao ribeirão, que começou anteontem.
O projeto é feito em forma de parcerias: a AMA realiza o plantio e dá assistência técnica; o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) cede as mudas; e as empresas ou associações de moradores fazem a limpeza do terreno e a manutenção das árvores. ‘‘É uma forma de recuperar a mata ciliar e, ao mesmo tempo, conscientizar os empresários e a população em geral sobre a importância da preservação do meio ambiente’’, afirma o presidente da AMA, Mauro Maggi.
O diretor executivo do Consórcio Intermunicipal para a Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati), Marcelo Mafra, diz que a recuperação da mata ciliar faz parte de ações a curto prazo, que devem incluir ainda a autuação de agentes poluidores e remoção do lixo do ribeirão. De acordo com ele, devem ser traçadas também ações a médio e longo prazo, como projetos voltados à educação ambiental.
Márcia Regina Arantes afirma ser importante também um trabalho preventivo para evitar que novas áreas na faixa de prevervação sejam ocupadas. Segundo ela, a ocupação ao longo da faixa teve início há muito tempo. ‘‘Não é possível simplesmente derrubar as casas e prejudicar os moradores, que quase sempre são pobres. É um problema ambiental, mas também social.’’
O seminário realizado ontem foi organizado pela AMA, Copati, Instituto Brasileira de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e IAP. Participaram representantes de secretarias municipais, empresas e órgãos públicos estaduais. O prefeito em exercício, Adalberto Pereira (PFL), esteve na cerimnônia de abertura.
Uma cartilha informativa sobre a nova Lei de Crimes Ambientais foi lançada ontem de manhã pelo Copati, durante o seminário que discutiu a recuperação do Ribeirão Quati.
Sancionada no dia 12 de fevereiro pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a lei nº 9.605 é composta por 82 artigos. Uma das principais mudanças é com relação às multas, que antes eram de até R$ 5 mil. Com a nova lei, a penalidade para quem cometer alguma agressão contra a natureza pode variar de R$ 50,00 a R$ 50 milhões.
O secretário executivo do Copati, Marcelo Mafra, explica que o objetivo da cartilha é de fazer com que as institutições públicas e privadas conheçam as novas regras. A tiragem inicial é de 5 mil exemplares, mas o Copati poderá imprimir novas cartilhas, dependendo da procura. Empresas interessadas em receber a cartilha podem entrar em contato com o consórcio, pelo telefone (043) 330-2811.
Também durante o seminário aconteceu o lançamento de dois selos comemorativos ao Dia Internacional do Meio Ambiente (5 de junho). A gralha azul e o pinheiro do Paraná foram escolhidos para ilustrar selos no valor de R$ 0,22. O coordenador regional de atendimento dos Correios, Carlos Ernesto Casagrande, diz que os selos servirão de alerta à população sobre a importância de preservar o meio ambiente.
O projeto gráfico dos selos é de autoria da artista plástica paranaense Luciana Hirata. A tiragem é de três milhões de selos. Carlos Casagrande informa que o lançamento dos selos foi realizado simultamente em outras três cidades do Estado.

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