Seminário discute combate as enchentes
Maigue Gueths
De Curitiba
Medidas simples podem acabar com as enchentes em Curitiba. Técnicos e especialistas em risco hidrológicos defendem que sejam adotadas ações, como preservar e restabelecer as alternativas naturais em detrimento às opções estruturais que prevêem obras e construções e a criação de sistemas de armazenamento, para utilização e infiltração das águas pluviais. O assunto está sendo debatido no seminário O uso dos solos e dos rios na Curitiba no Novo Milênio,centrado em dois temas específicos: Riscos Hidrológicos na Região de Curitiba: análises críticas e Como queremos Curitiba no futuro: a nova lei de zoneamento e uso dos solos, que começou ontem.
Promovido pelo Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Nimad) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com apoio da Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente, o evento está sendo realizado justamente quando a nova lei de zoneamento e uso dos solos de Curitiba já está sendo aprovada pela Câmara Municipal de Curitiba. Um dos objetivos do seminário era apresentar sugestões e alternativas de prevenção as enchentes à prefeitura. Mesmo assim, no final do seminário, está prevista a publicação de um livro, com as palestras, conclusões e propostas das mesas-redondas, que estão acontecendo à tarde.
Poderíamos acrescentar à lei de zoneamento itens para adotar soluções naturais na prevenção às inundações, sem necessidade de grandes investimentos em obras, diz o professor de Geologia e membro do Nimad da UFPR, Renato Eugênio Lima. Para ele, é inconcebível que se invista tanto em obras estruturais, como canais, represas e canalisação de rios, quando a conservação das alternativas naturais é muito mais prática, barata e eficiente. Um pântano à margem de um rio retém a água da chuva, por exemplo, mas se ele for destruído será preciso construir represas ou piscinas para segurar esta água. Já as curvas do rio fazem com que sua água chegue mais devagar ao seu final, mas se você endireitar este rio, a água escoará muito mais rápido, diz.
Para Lima, a prevenção de enchentes em Curitiba passa por três fatores. Primeiro, vem a valorização das condições naturais, protegendo os fundos de vale, pântanos, curvas e margens dos rios, em detrimento das soluções estruturais. Em segundo lugar, é necessário adequar a legislação, proibindo-se a ocupação das margens dos rios, e regulando-se melhor a impermebialização do solo. Nos países desenvolvidos, quem impermeabiliza sua propriedade tem que compensar o Estado por isso, construindo tanques de retenção da água de chuva. Aqui também deveria ser assim, quem contribui mais com a cidade deveria ter mais benefícios, diz. A terceira medida é preparar melhor a comunidade para a Defesa Civil, de modo a que as pessoas se conscientizem e saibam agir em caso de desastres.
Já o professor e membro do Instituto de Pesquisa e Assessoria Tecnológica (Intec) da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Roberto Fendrich, defendeu o armazenamento, utilização e infiltração das águas pluviais como prevenção as enchentes. Segundo ele, esta técnica é comum no Japão. Em Curitiba, os mercados Wall Mart e Carrefour do Parolin já têm reservatórios de retenção. As casas, supermercados, shoppings que tivessem seus reservatórios para captar a água e utilizá-la depois poderiam até ter desconto no IPTU, diz. Ao invés da dona de casa pegar água tratada para lavar a calçada ou molhar o jardim, ela poderia usar a água da chuva.





