Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
‘‘A Prefeitura de Londrina precisa investir mais recursos nos hospitais das zonas norte e sul, principalmente na emergência e UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Essa é a única solução para o município não se tornar refém do Hospital Evangélico’’, afirmou ontem Nelson Cardoso, presidente do Conselho de Saúde da Região Sul (Consul), a respeito da polêmica gerada a partir do descredenciamento do pronto-socorro do Hospital Evangélico (HE) do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para Cardoso, a verdadeira intenção do HE quando ameaça desvincular os demais setores é obter mais recursos da prefeitura. ‘‘O Evangélico é uma instituição filantrópica que já se valeu muito do dinheiro público e agora não pode virar às costas à população’’.
Para o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, o descredenciamento total do hospital como punição pelo fechamento do PS a pacientes do SUS penalizaria toda a população. No entanto, Bedrossian disse que não há como impedir que isso ocorra. ‘‘Ele vende seus serviços ao SUS e na medida que não houver mais interesse nesta relação o contrato pode ser anulado a qualquer momento’’.
O assunto foi discutido ontem no encerramento do 1º Seminário de Sistematização Histórica do Consul, realizado no CAIC da zona sul. O objetivo foi levantar as ações promovidas pelo Conselho nos oito anos de existência e traçar um plano para o biênio 2000/2001. Segundo o presidente do Conselho, o maior problema da região sul da cidade é a falta de infra-estrutura básica.
Uma das metas do Consul para este ano é criar 20 conselhos setoriais nos 48 bairros da área. Em Irerê, Paiquerê, Ouro Branco e Itapuã, as comunidades já elegeram suas diretorias e aprovaram os estatutos.
Até 2001, o Consul contará com o apoio financeiro da fundação norte-americana Kellog. Desde 1993, a instituição terá investido R$ 3,7 milhões na capacitação de profissionais da saúde, formação de lideranças comunitárias e compra de equipamentos médicos. A Kellog também está financiando a construção da biblioteca virtual no Jardim Franciscato, orçada em US$ 50 mil.
A obra começa na próxima semana e pretende qualificar lideranças municipais utilizando a informática. Segundo a assessoria de imprensa do Consul, esta é uma iniciativa da Associação das Mulheres Batalhadoras do Jardim Franciscato, uma das 100 entidades atuantes na região sul.