Seminário debate prevenção e combate às drogas
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Marcos NegriniAção conjuntaCerca de 300 pessoas assistiram aos debates: rigor nas danceterias, boates e portas de escolasO prefeito Jairo Gianoto (PSDB) disse ontem na abertura do Seminário Regional sobre Drogas que os estados e União gastam milhões no combate às drogas e quase nada na prevenção contra o uso delas. O importante é prevenir, mas nós ainda achamos que o combate resolve o problema. Não podemos transferir este problema para a polícia. A sociedade tem que agir em conjunto. As famílias têm que ser preparadas e educadas sobre a síndrome da dependência, disse.
Segundo o prefeito, o desemprego é uma das causas do aumento do número de traficantes e de usuários. Desempregado, o cidadão é levado ao desespero, fica mais suscetível, e aí começa a abusar das drogas, como o álcool.
O seminário é promovido pelo Conselho Municipal de Entorpecentes de Maringá (Comem) e Universidade Estadual de Maringá (UEM). O objetivo do seminário é alertar a sociedade para uma ação conjunta sobre o uso das drogas. Ontem, os cerca de 300 participantes, reunidos no auditório Hélio Moreira, da prefeitura, ouviram palestra do secretário estadual de Justiça, Edson Vidal, sobre legislação e drogas.
O juiz da Vara da Infância e da Juventude, Renê Pereira da Costa, que fez palestra no seminário, anunciou que ontem reuniu-se com donos de boates, danceterias, motéis, hotéis e casas de fliperamas para dizer que a taxa de consumação será abolida na cidade. Cansamos de encontrar menores de 18 anos bebendo em boates, pagando apenas o preço da entrada. Isso é proibido
Há duas semanas, disse Costa, um de seus comissários de menores deteve e colocou na prisão o dono de uma danceteria da cidade que estava vendendo bebida alcoólica para menores. Costa demitiu 40 dos 70 comissários de menores e contratou mais 35, que há um mês estão trabalhando (o trabalho é voluntário, não tem salário) com coletes e walkie-talkies, multando a autuando casas noturnas e de jogos que vendem bebidas a menores de idade.
Cada vez que uma casa noturna promove um show em Maringá é obrigada a pedir um alvará ao juiz Costa: Os alvarás estão dizendo que, por exemplo, o show da Shakira pode ser visto por menores de 16 anos, mas diz também que o dono da casa responderá a processo se vender bebida para menores de 18 anos. Ele, o dono, é o responsável pelo menor que está na sua casa.
As multas variam de três a 20 salários mínimos - a média, segundo o juiz, é de 10 multas mensais em Maringá. Temos que ser implacáveis. Estamos com os comissários nas portas das escolas públicas, impedindo até que os namorados fiquem esperando pela namorada.
Ainda segundo ele, a PM e os seus comissários estão autuando uma média de 10 menores por dia dirigindo automóveis em Maringá. Os pais desses menores estão sendo processados.


