Londrina

Josoé de CarvalhoDadosA bióloga Giseléia Guimarães: Paraná registra 1.100 casos de acidentes com cobras por anoComo identificar animais peçonhentos e tratar vítimas de acidentes deste tipo? Responder a essa pergunta é um dos objetivos do Seminário Macrorregional em Acidentes por Animais Peçonhentos, que começou ontem à noite e prossegue hoje, durante o dia todo, no Sesc da rua Fernando de Noronha (área central). O evento, voltado a médicos e outros profissionais da área da saúde, é promovido pela 17ª Regional de Saúde, com apoio do Sesc e do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) do Hospital Universitário.
Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândula de veneno que se comunicam com dentes ocos, ferrões ou aguilhões, por onde passa o veneno. O exemplo mais conhecido é a cobra. Neste seminário, estão sendo abordados três tipos: jararaca, cascavel e coral verdadeira.
A bióloga Giseléia Burigo Guimarães, do Centro de Epidemiologia do Paraná, explica que, no Estado, a média anual da últimos década é de 1.100 casos de acidentes com cobras. Segundo a bióloga, a média é de cinco óbitos por ano.
A médica Ceila Maria Santana Malaqui, do Instituto Butantã de São Paulo, que também participa do seminário, acredita que o evento servirá para reduzir o índice de casos com cobras não identificadas. A médica esclarece que, através da evolução clínica e dos sintomas da vítima, é possível identificar qual o animal responsável pela picada.
Outro animal peçonhento abordado durante o seminário é a taturana conhecida como lonomia oblíqua. A taturana era encontrada antes somente na região Sul do Estado, mas nos últimos anos vem se alastrando por outros municípios. ‘‘Não temos um controle sobre a mariposa (fase adulta da taturuna), que sai voando e pode se adaptar perfeitamente a vários tipos de vegetação’’, observa Giseléia Rúbio.
A taturana foi responsável por três mortes - uma em 95 e duas neste ano. Um dos óbitos foi registrado na região de Londrina. Rogério Martins Monteiro, 15 anos, de Tamarana, morreu no dia 16 de julho, no Hospital Universitário.
A médica do Butantã diz que há cerca de três anos está sendo desenvolvido um soro para atender os casos de acidentes com taturana e os resultados têm sido positivos. Ela esclarece que o soro é indicado apenas para pessoas que tiveram alteração de coagulação e/ou sangramento e desde o início do ano já está disponível no Paraná.
Durante o seminário, cujas palestras ontem à noite foram destinadas aos médicos, estão sendo discutidos também as aranhas armadeira e marrom, o escorpião amarelo e as abelhas. Também participa do seminário o biológo da secretaria estadual da Saúde, Emanoel Marques da Silva. Hoje o evento é direcionado a enfermeiros e atendentes de enfermagem.

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