A contribuição do negro para a formação da cultura brasileira é marcante em muitos aspectos. Na culinária, a saborosa feijoada é certamento o prato mais conhecido. Foi criada pelos escravos que aproveitavam as partes do porco que os brancos descartavam.
Mas o que muita gente não sabe é que outros pratos bastante conhecidos também surgiram nas senzalas. Como a moqueca, que acabava servindo para ‘‘esconder’’ carnes mais nobres no meio dos outros ingredientes. A moqueca não era feita apenas de peixe, como é mais conhecida. Carne de sol, frango, ou mesmo carne fresca podem ser a base para o prato, que necessariamente deve ser temperado com muitas ervas.
Era um prato nobre para os escravos, porque preparavam com as comidas boas que conseguiam, como peixes que pescavam e galinhas que roubavam. Para os patrões não desconfiarem, eles abafavam o cheiro com muito tempero e especiarias e escondiam a carne sob muito tomate, cebola e pimentão’’. Quando um senhor de engenho resolvia dar uma incerta na senzala, jamais desconfiva que dentro da grande panela repousava um manjar dos deuses. Para acompanhar a iguaria, os escravos costumavam fazer o acaçá, um tipo de bolo feito de creme de arroz envolto em folha de bananeira. Outros pratos feitos por eles eram o arroz com leite de coco, pirão e molho picante.
Estas curiosidades históricas foram ingredientes, junto com carne de frango, ervas e leite de coco, de oficina de culinária africana ministrada na semana passada como parte da programação da XX Semana Zumbi dos Palmares.

A arte e a técnica de combinar alimentos dando origem a pratos que ficam conhecidos pelas suas características de sabor e valor nutritivo. Cada cultura tem sua própria culinária que vai sendo criada de acordo com os alimentos disponíveis, o clima e a região, representando ainda os hábitos de cada povo. No Brasil, a culinária africana está presente em nossa mesa, graças à nossa formação multicultural que mistura elementos de várias cozinhas.

Guisado de peixe, mariscos ou mesmo outros tipos de carnes que costumam ser cozidas em azeite-de-dendê, coco e pimenta, correspondendo assim a elementos trazidos pela comida africana. O termo se origina da palavra ‘‘moquear’’ que significa assar o peixe em folhas de bananeira, conforme também um costume indígena ou primitivo que foi sendo adaptado ao longo do tempo ao cozimento em panelas e fogões.

O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

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